Atenções divididas

Texto originalmente publicado em: http://trivela.uol.com.br/inglaterra/atencoes-divididas

Recebi essa semana um e-mail do Manchester United. A mensagem – obviamente automática – me convidava para ser parte do fã-clube online do clube com uma mensagem em português que em resumo dizia o seguinte: “Nossos torcedores fazem uma grande diferença. Para fazer a diferença, cadastre-se aqui”.

Tive a oportunidade de visitar Old Trafford em 2011 e talvez meu e-mail esteja no banco de dados do clube desde então. Outra hipótese é que isso seja resultado de algum mailing  desses tantos que nos inscrevemos e nem recordamos. Deixemos a investigação de lado. Este convite virtual para ser parte do fã-clube do United é o gancho dessa coluna: a relação entre times e torcedores geograficamente distantes.

Usemos como parâmetro o público brasileiro – o asiático já foi conquistado faz tempo. Clubes considerados globais como Real Madrid, Milan e o próprio Manchester United, desenvolvem sites em diversos idiomas, além de excursionar por diversos lugares do planeta em períodos de pré-temporada. A ascensão da popularidade dessas equipes aqui no Brasil é visível há algum tempo. A diferença de uns anos para cá é o interesse despertado por clubes menores ou por campeonatos outrora esquecidos. Antes tema de alucinados por futebol, hoje observamos mais e mais pessoas debatendo os destaques de Newcastle, Mallorca ou Fiorentina. Às vezes também sabem quando ocorrerá o próximo clássico do futebol turco.

Há os que acham isso empolgante e os que tratam com desprezo. Entre os que desdenham, o argumento é de que o torcedor de arquibancada tem uma relação diferente com o time, mais próxima e pessoal. Afinal, acompanhar uma rotina de jogos in loco torna-se impossível caso seu time esteja em outro continente (se você é milionário, favor desconsiderar a última frase). Apesar de bastante familiarizado com futebol internacional, confesso ainda estranhar quando leio sobre aqueles que torcem apenas por um clube europeu. De qualquer forma, ser bairrista e achar que esses fatores externos não são concorrência na hora de conseguir a atenção do torcedor é um erro tremendo de qualquer departamento de marketing.

Negar a presença desses clubes no nosso cotidiano é negar o óbvio. O que começou com uniformes e videogames hoje está presente nas televisões – incluindo emissoras abertas – internet e nas conversas de segunda-feira. A consequência são pitacos sobre a escalação do Bayern Munique ou críticas ao técnico da Internazionale. Achar que mais pessoas virão sem o menor esforço é ingenuidade.

E mais: times brasileiros poderiam tentar fazer o mesmo. Dentro do Brasil, podemos ter torcedores de outras equipes em diferentes regiões que invariavelmente são simpáticos a um segundo clube. A América do Sul também se apresenta como mercado em potencial mas para que propostas assim se realizem, seria importante que as diretorias trabalhassem em conjunto (e aí entramos na infelizmente famigerada discussão sobre a liga de clubes).

Antes que algum dirigente ou profissional de marketing esportivo diga que isso é bobagem, duas perguntas: quantas camisas de times nacionais foram preteridas na compra por uniformes europeus? Quantas pessoas deixaram de ir ao estádio para assistir algum clássico na Espanha, Itália ou Inglaterra? Vale a pena pensar.

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Regra e exceção

Publicado originalmente no blog Esportividades: http://esportividades.wordpress.com/2012/10/16/regra-e-excecao/

Estamos na trigésima rodada do Brasileirão 2012 e o líder Fluminense abriu nove pontos de diferença para o vice, Atlético Mineiro. Essa vantagem foi suficiente para alguns defensores da fórmula “mata-mata” recomeçarem o debate sobre uma suposta falta de emoção nos campeonatos de pontos corridos.

Há que se respeitar as opiniões, claro. Mas cuidado com a generalização. Rápido exercício, lembremos dos últimas rodadas dos quatro campeonatos anteriores: em 2008 o São Paulo precisou vencer o Goiás para ficar com o título; depois, o Flamengo derrotou o Grêmio e foi campeão; no ano seguinte o Fluminense fez 1 a 0 no Guarani para levar a taça; ano passado o Corinthians venceu o clássico com o Palmeiras antes de ser campeão brasileiro.

É claro que não há como garantir que a decisão do título fique para a rodada final nessa fórmula de disputa. Também é matematicamente inviável que oito equipes cheguem brigando pelo troféu. Porém, dizer que o Brasileirão ficou sem emoção é um pouco demais.

O debate é válido. Mas por favor, sem generalizar.

De bom tamanho para os anfitriões

Velocidade e técnica. Essas duas características estiveram presentes hoje no grande duelo entre Manchester City e Borussia Dortmund, válido pelo grupo D da Liga dos Campeões.

Joe Hart, goleiro do City, jogou demais. É verdade que pelo Dortmund, Marco Reus marcou e Lewandowski perdeu gol incrível. Mas não fosse Hart, a equipe alemã teria saído de Manchester com um resultado melhor.

No ataque dos citizens, Dzeko começou titular e depois entrou Baloteli. Tevez ficou no banco. Balotelli alías, empatou em pênalti controverso marcado por uma mão na bola. Foi a tal interpretação do árbitro.

Pouco para o Dortmund, de bom tamanho para o City. No outro jogo da chave, o Real Madrid venceu o Ajax por 4 a 1, três gols de Cristiano Ronaldo e um golaço de Benzema.

Joe Hart jogou muito e ajudou o City a sair com o empate. Crédito: jsportsblogger

Liga dos Campeões: segunda rodada

02/10

Grupo E

Nordsjaelland (DIN) 0x4 Chelsea (ING)
Juventus (ITA) 1×1 Shakhtar Donetsk (UCR)

Grupo F

BATE Borisov (BLR) 3×1 Bayern de Munique (ALE)
Valencia (ESP) 2×0 Lille (FRA)

Grupo G

Benfica (POR) 0x2 Barcelona (ESP)
Spartak Moscou (RUS) 2×3 Celtic (ESC)

Grupo H

Cluj (ROM) 1×2 Manchester United (ING)
Galatasaray (TUR) 0x2 Braga (POR)

03/10

Grupo A

Porto (POR) 1×0 PSG (FRA)
Dínamo de Kiev (UCR) 2×0 Dinamo Zagreb (CRO)

Grupo B

Arsenal (ING) 3×1 Olympiacos (GRE)
Schalke 04 (ALE) 2×2 Montpellier (FRA)

Grupo C

Zenit (RUS) 2×3 Milan (ITA)
Anderlecht (BEL) 0x3 Malaga (ESP)

Grupo D

Ajax (HOL) 1×4 Real Madrid (ESP)
Manchester City (ING) 1×1 Borussia Dortmund (ALE)

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Arsenal 1×2 Chelsea

Arsenal: Mannone, Jenkinson, Koscielny, Vermaelen e Gibbs; Arteta, Diaby (Chamberlain) e Cazorla; Ramsey (Walcott), Podolski (Giroud) e Gervinho.

Chelsea: Cech, Ivanovic, David Luiz (Cahill), Terry e Ashley Cole; Mikel, Ramires, Mata (Bertrand), Oscar (Mose) e Hazard; Fernando Torres.

Escalação antes do texto? Nesse caso, apenas para ilustrar a diferença entre os times que, mesmo grande, não inibiu a expectativa para o clássico londrino do último fim de semana, válido pela Premier League.

De um lado estava o Chelsea, atual campeão europeu e líder da liga. O Arsenal, mesmo sem Van Persie estava invicto e vencer os blues seria um bom indicador de que a equipe poderia pensar em voos maiores.

O zagueiro Koscielny foi destaque negativo do Arsenal. Permitiu a finalização de Fernando Torres que abriu o placar e, quando a partida já estava empatada, não cortou uma cobrança de falta de Mata: 2 a 1, Chelsea.

É cedo para descartar o Arsenal entre candidatos ao título. Mas após o segundo grande teste, os resultados são empate e derrota contra City e Chelsea, respectivamente (sim, descartei o Liverpool, que o Arsenal venceu fora de casa por 2 a 0 na terceira rodada).

Na semana de Liga dos Campeões, Chelsea enfrenta o Nordsjelland, na Dinamarca e o Arsenal recebe o Olympiacos.

Até onde vão esses times?

Juan Mata marcou o segundo gol do clássico. Crédito: Trivela.com

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Liga dos Campeões – rodada 1: empates nada iguais

Com a eliminação da Udinese na fase classificatória da Liga dos Campeões, a Itália chegou à fase de grupos com apenas duas equipes : Juventus e Milan. Isso implica em uma edição com menos clubes italianos do que portugueses e franceses, que têm três participantes cada.

Não bastasse a pequena representatividade numérica, o Milan estreiou ontem, dia 18, de forma desanimadora. Com escalação bem mediana e atuação pouco inspirada válida pelo grupo C, não saiu do empate contra o Anderlecht da Bélgica, jogando em Milão. Tem desfalques, é verdade. Mas não parece crível que Montolivo, Robinho e Pato possam mudar tanto assim o time. Enquanto isso, os ex-rossoneri Ibrahimovic e Thiago Silva marcaram gols na vitória do PSG contra o Dínamo de Kiev. Ainda pela mesma chave, Málaga venceu Zenit por 3 a 0. Agora, o Milan enfrentará o próprio Zenit, na Rússia. Se perder, não será aquela surpresa.

A Juventus, atual campeã da Serie A, foi bem melhor. Jogou de igual para igual contra o atual campeão europeu Chelsea, em Londres. Perdia por 2 a 0 com dois gols de Oscar e foi buscar o resultado. Vidal descontou e Quagliarella empatou. Depois ainda mandou uma bola no travessão. No grupo E, os bianconeri devem se classificar à frente de Shakhtar Donetsk e Nordsjaelland. O que vai acontecer em uma eventual fase de playoffs, ninguém sabe. Mas a Juventus mostrou perspectivas muito boas, depois de três anos fora da competição.

Ao Milan, cabe a realidade. Tem hoje uma equipe comum.

Pazzini, do Milan, cabeceia contra Anderlecht. AFP Photo / Giuseppe Cacace

Grupo A
Dínamo Zagreb (CRO) 0x2 Porto (POR)
PSG (FRA) 4×1 Dínamo de Kiev (UCR)

Grupo B

Montpellier (FRA) 1×2 Arsenal (ING)
Olympiacos (GRE) 1×2 Schalke 04 (ALE)

Grupo C

Milan (ITA) 0x0 Anderlecht (BEL)
Málaga (ESP) 3×0 Zenit (RUS)

Grupo D

Real Madrid (ESP) 3×2 Manchester City (ING)
Borussia Dortmund (ALE) 1×0 Ajax (HOL)

Grupo E

Chelsea (ING) 2×2 Juventus (ITA)
Shakhtar Donetsk (UCR) 2×0 Nordsjaelland (DIN)

Grupo F

Bayern de Munique (ALE) 2×1 Valencia (ESP)
Lille (FRA) 1×3 BATE Borisov (BLR)

Grupo G

Barcelona (ESP) 3×2 Spartak Moscou (RUS)
Celtic (ESC) 0x0 Benfica (POR)

Grupo H

Manchester United (ING) 1×0 Galatasaray (TUR)
Braga (POR) 1×3 Cluj (ROM)

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Europa não é país

“Lá na Europa isso não acontece”; “o juiz na Europa não dá esse tipo de falta”; “o futebol na Europa é de outro jeito”.

Você já deve ter lido isso em análises superficiais, principalmente quando comparamos alguma característica do nosso futebol com o que acontece em alguns países do velho continente. Veja bem, alguns países. E é por isso mesmo que não podemos generalizar a Europa como se tudo fosse a mesma coisa.

Falemos de público, por exemplo. “Na Europa os estádios são cheios”. Mais ou menos. Para ter como referência as quatro principais ligas, o público alemão e inglês é sim espantoso para nossos padrões. Por sua vez, a presença do torcedor nos campeonatos de Espanha e Itália não é assim tão impressionante.

Isso vai longe. Aprendizado tático, estilo de jogo, critério de arbitragem. Falamos “Europa” como se tudo fosse igual: da Lituânia a Portugal. As ligas são diferentes, cada uma com sua peculiaridade.

Generalizar tudo em discussões informais ou em tom de brincadeira, até vai. Mas além disso é falta de informação.

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Brasil x África do Sul: relembre o último encontro

Brasil e África do Sul se enfrentam nessa sexta-feira, 7, em amistoso no Estádio do Morumbi, São Paulo.

O blog É Pênalti aproveita a ocasião para lembrar qual foi a última vez em que essas duas seleções se encontraram. 25 de junho de 2009. E se dessa vez o jogo é aqui no Brasil, os sul-africanos foram os anfitriões dessa partida.

Mas o jogo em questão valia mais que um simples amistoso. Era a semifinal da Copa das Confederações, no Ellis Park, em Joanesburgo.

A seleção treinada por Dunga foi para o campo com a seguinte formação: Júlio César, Maicon, Lúcio, Luisão, André Santos (Daniel Alves), Gilberto Silva, Felipe Melo, Ramires, Kaká, Robinho e Luís Fabiano (Kleberson).

1 a 0 para o Brasil, gol de Daniel Alves aos quarenta e três minutos do segundo tempo. A seleção brasileira viria a ser campeã do torneio ao vencer os Estados Unidos na final por 3 a 2.

Veja o gol de Daniel Alves:

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