Atenções divididas

Texto originalmente publicado em: http://trivela.uol.com.br/inglaterra/atencoes-divididas

Recebi essa semana um e-mail do Manchester United. A mensagem – obviamente automática – me convidava para ser parte do fã-clube online do clube com uma mensagem em português que em resumo dizia o seguinte: “Nossos torcedores fazem uma grande diferença. Para fazer a diferença, cadastre-se aqui”.

Tive a oportunidade de visitar Old Trafford em 2011 e talvez meu e-mail esteja no banco de dados do clube desde então. Outra hipótese é que isso seja resultado de algum mailing  desses tantos que nos inscrevemos e nem recordamos. Deixemos a investigação de lado. Este convite virtual para ser parte do fã-clube do United é o gancho dessa coluna: a relação entre times e torcedores geograficamente distantes.

Usemos como parâmetro o público brasileiro – o asiático já foi conquistado faz tempo. Clubes considerados globais como Real Madrid, Milan e o próprio Manchester United, desenvolvem sites em diversos idiomas, além de excursionar por diversos lugares do planeta em períodos de pré-temporada. A ascensão da popularidade dessas equipes aqui no Brasil é visível há algum tempo. A diferença de uns anos para cá é o interesse despertado por clubes menores ou por campeonatos outrora esquecidos. Antes tema de alucinados por futebol, hoje observamos mais e mais pessoas debatendo os destaques de Newcastle, Mallorca ou Fiorentina. Às vezes também sabem quando ocorrerá o próximo clássico do futebol turco.

Há os que acham isso empolgante e os que tratam com desprezo. Entre os que desdenham, o argumento é de que o torcedor de arquibancada tem uma relação diferente com o time, mais próxima e pessoal. Afinal, acompanhar uma rotina de jogos in loco torna-se impossível caso seu time esteja em outro continente (se você é milionário, favor desconsiderar a última frase). Apesar de bastante familiarizado com futebol internacional, confesso ainda estranhar quando leio sobre aqueles que torcem apenas por um clube europeu. De qualquer forma, ser bairrista e achar que esses fatores externos não são concorrência na hora de conseguir a atenção do torcedor é um erro tremendo de qualquer departamento de marketing.

Negar a presença desses clubes no nosso cotidiano é negar o óbvio. O que começou com uniformes e videogames hoje está presente nas televisões – incluindo emissoras abertas – internet e nas conversas de segunda-feira. A consequência são pitacos sobre a escalação do Bayern Munique ou críticas ao técnico da Internazionale. Achar que mais pessoas virão sem o menor esforço é ingenuidade.

E mais: times brasileiros poderiam tentar fazer o mesmo. Dentro do Brasil, podemos ter torcedores de outras equipes em diferentes regiões que invariavelmente são simpáticos a um segundo clube. A América do Sul também se apresenta como mercado em potencial mas para que propostas assim se realizem, seria importante que as diretorias trabalhassem em conjunto (e aí entramos na infelizmente famigerada discussão sobre a liga de clubes).

Antes que algum dirigente ou profissional de marketing esportivo diga que isso é bobagem, duas perguntas: quantas camisas de times nacionais foram preteridas na compra por uniformes europeus? Quantas pessoas deixaram de ir ao estádio para assistir algum clássico na Espanha, Itália ou Inglaterra? Vale a pena pensar.

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Marketing esportivo – Trivela.com – não basta patrocinar, tem que participar

Texto originalmente publicado em: http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/nao-basta-patrocinar-tem-que-participar

Os admiradores de marketing esportivo sabem que de nada adianta apoiar um evento, sem ativar o patrocínio. Empresas e organizadores devem encontrar formas de ativação, para evitar que os logotipos tornem-se meramente ilustrativos.

Infelizmente, carecemos de bons exemplos no futebol nacional. Portanto, usaremos esse espaço para refletir o que poderia ser feito, além de copiar alguns casos esportivos do exterior (se for algo bem feito, não há problema em copiar). Pensemos em ativações durante o próprio evento e em outras relacionadas à ele.

Você sabia que o Campeonato Paulista de 2012 chama-se Paulistão Chevrolet? A Federação estadual não parece muito disposta a divulgar. Estamos quase no fim do campeonato, e até agora não vimos nada além do nome da marca nas placas de publicidade, presença no backdrop de entrevistas, faixas, balões e carros do patrocinador próximos à um banner em campo, no intervalo de alguns jogos. É pouco.

É possível desenvolver ações de qualidade utilizando o local da partida, beneficiando o campeonato, o patrocinador e os clubes, afinal os torcedores saem do estádio mais satisfeitos. Sugestões? Distribuir antes dos jogos mini publicações, com fichas técnicas dos times, acontecimentos do campeonato e claro, mensagens publicitárias (nesse exemplo, informações sobre os carros da marca). No estádio, aproveitar o intervalo para criar algum tipo de relacionamento com o torcedor. Promoções singelas são benvindas e já até aconteceram. Disputa de pênaltis, chutes do meio campo, tudo isso é válido. E desde que relacionados aos organizadores e patrocinadores do evento, podem gerar bons exemplos de ativação de patrocínio. A NBA está aí para mostrar.

Mas o contato com o consumidor não pode se resumir apenas ao dia de jogo. Ações ao longo da semana que promovam a competição ativam o patrocínio. A criação de games na internet pode ser uma boa saída. Aplicativos relacionados ao evento, “bolões” virtuais, jogos no estilo simulação (o Fantasy da UEFA Champions League foi muito bem aceito), quiz sobre a história da competição, exposições. Coisas simples, que incentivam o compartilhamento de informações, a divulgação espontânea, a ativação nas redes sociais e em celulares. Um bom exemplo é o site da Uefa, com uma seção dedicada à essas atividades.

A Petrobras, em outro bom exemplo, aproveitou-se do momento em que patrocinava o Brasileirão para produzir vídeos sobre torcedores de vários clubes. Os vídeos foram exibidos em canais a cabo, mas também estavam disponíveis na internet. Afinal, o esporte possibilita à marca uma chance de entrar no universo das torcidas, do futebol, um benefício pouco visto em outras áreas de marketing.

Entretanto, para isso é preciso ativar o patrocínio. E claro, interesse. Na dúvida, pergunte à seus amigos: você sabia que o Paulistão 2012 tinha esse nome?

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Marketing esportivo – texto no Trivela.com – cadê o escudo?

http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/cade-o-escudo

No começo da década passada o Brasiliense, do Distrito Federal, teve grande ascensão no cenário nacional. Time novo, fundado em agosto de 2000 , foi finalista da Copa do Brasil menos de dois anos depois e participou da série A em 2005. O clube, apesar do bom desempenho, era alvo de comentários de torcedores por todo o país que estranhavam o número de patrocinadores na camisa amarela. Quatro, cinco. Onde coubesse um logotipo, o Brasiliense aceitava.

Pois bem. O que era novidade e exclusividade de poucos times, carentes de maiores verbas de patrocínio, virou realidade entre quase todos os clubes nacionais. Resultado: cofres mais gordos e camisas horríveis. Os atuais uniformes são uma salada de logotipos. É possível anunciar no tradicional espaço embaixo do escudo (o que hoje chamam apenas de cota master), nos ombros, abaixo das axilas, dentro(!) dos números, além de calções e meiões.

Deixemos de lado por um instante a discussão estética. Até porque é difícil acreditar que alguém prefira as camisas assim. Financeiramente falando, à curto prazo a medida foi positiva. Afinal, são verbas que entram para os cofres. Dois milhões aqui, cinco milhões acolá, mas entram. Mesmo com apelos de torcedores, a tendência é que isso continue. Afinal, essas cotas começam a fazer parte do planejamento financeiro do clube, e o que era teste, ou algo provisório, já não pode mais ser excluído. Por quê deixar vazio um espaço que pode render cinco milhões?

Bom, pode ter um porquê. Mas para isso, precisamos analisar o outro lado da moeda (ou da camisa): quem patrocina.

Empresas expõem seus logotipos em busca de retorno de mídia (e aos poucos, também começam a falar de ativação de patrocínio). Mas estarão as empresas certas de que o atual retorno é suficiente? Aparecer dentro de um número, ou abaixo das axilas é valioso para a marca? É um assunto a se analisar com cautela, pois essa série de investimentos pode ser um modismo que passará.

Também, há uma concorrência interna, dentro da própria camisa, para chamar a atenção do espectador. Não bastasse concorrer com outros uniformes, as marcas brigam entre si, em busca de maior exposição. Os primeiros resultados disso começam a aparecer: há um princípio de rejeição de alguns torcedores em relação à determinadas camisas, onde os logotipos falam mais alto que o escudo. O banco BMG colocou garrafais letras laranjas nos uniformes e, apesar do dinheiro que rendem aos clubes, não foi um sucesso estético.

Outro resultado é a dificuldade em vender a cota principal. Grandes times encontram problemas nas negociações e acabam aceitando um valor menor do que o projetado. Estaria essa concorrência “interna” deixando as marcas ressabiadas com a garantia de retorno? Pode ser. Essa é uma tendência que dificilmente será alterada pelos clubes, deixando para as empresas o futuro dos uniformes.

E se um patrocinador bancasse a camisa do seu time apenas com a cota principal, você compraria?

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Marketing esportivo – Trivela.com – China, terra à vista!

Texto publicado em: http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/china-terra-vista

Departamentos de marketing dos clubes brasileiros deixaram o ostracismo nos últimos anos. De cargos secundários passaram a ser destaque, e vez ou outra dirigentes da área aparecem em entrevistas, divulgando produtos, acordos ou apenas expectativas.

Entre o excesso e a falta de ações, a primeira opção é a atual regra do marketing futebolístico. Ações e mais ações invadiram lojas, sites, redes sociais e imprensa que, em boa parte, considera qualquer uma delas como boa “jogada de marketing” (desculpem o chavão, mas é esse o senso comum), sem sequer questionar o retorno de investimento e a eficiência.

Na lista de clubes que optaram pelo excesso está o Corinthians. Haja visto que o diretor de marketing do alvinegro paulista, Luís Paulo Rosemberg, é mais famoso e midiático do que diversos presidentes de outras equipes. A ação mais recente foi contratar o jogador chinês Zhizao, com o pretexto de aventurar-se no mercado asiático. Usando essa contratação como gancho, a coluna propõe uma reflexão sobre os reais impactos de investidas como essa, e quais outras medidas precisam ser adotadas de forma prática e ágil, na tentativa de atingir esse nicho tão populoso.
Zhizao

China, mercado emergente, economia pujante e um bilhão de pessoas. O cenário apresenta-se bom para investidores de diversas áreas.

É esse o cenário da aposta corinthiana. Porém, bastaria um eventual conhecimento dos chineses sobre os clubes daqui para isso ter retorno financeiro e midiático?

Lembremos de Ronaldo. Falamos do maior artilheiro de Mundiais. Um jogador que passou com destaque por PSV, Barcelona, Internazionale, Real Madrid e Milan. Três vezes eleito o melhor do mundo. Ronaldo não pode servir de comparações. Foi um acerto dos grandes do time paulista, mas é claro que sua contratação e atuações seriam repercutidas no mundo todo.

Mesmo assim, com toda a exposição internacional gerada pela contratação de Ronaldo, o que o Corinthians aproveitou? Teve retorno de mídia, claro. Mas não participou de excursões internacionais, não montou escolinhas de futebol para que crianças de outros países pudessem vestir sua camisa nas férias (como o Milan faz no Brasil, por exemplo) e não fosse a Nike, dificilmente teria seu uniforme à disposição em lojas estrangeiras.

A culpa aí não é exatamente do Corinthians. Como descrito no começo do texto, o clube exagera no número de ações, mas ao menos se mostra interessado em participar desse mercado. Entretanto, a atual estrutura de divulgação do futebol brasileiro no exterior beira a nulidade. Canais de alguns países transmitem jogos brasileiros (América do Sul e Inglaterra, por exemplo), mas falta agressividade na divulgação e valorização do produto. E se isso não é feito pela CBF, que não demonstra o menor interesse, deveria ser organizado pelos próprios clubes. Caberia então a Confederação, ao menos não atrapalhar e flexibilizar datas e horários.

Exemplos

Sem uma plataforma de comunicação adequada, não há garantias de que uma equipe consiga atrair a atenção de torcedores de outro país, apenas ao contratar um conterrâneo. Vejamos o basquete. Thiago Splitter jogou muito bem por diversos anos na liga espanhola, mas não teve metade do destaque dos brasileiros que estiveram na NBA, ainda que com rendimento menor. O investimento em divulgação da NBA é fortíssimo, levando seus jogadores para clínicas de basquete e promovendo jogos de pré-temporada em outros países.

No Brasil, o campeonato inglês ficou popular mesmo sem a presença de tantos brasileiros. Exibições na TV aberta, na TV fechada e também o bom desempenho dos clubes nos torneios europeus contribuíram para isso. Na China, como em grande parte do mercado asiático, a preferência é por Real Madrid, Barcelona e Manchester United. Não é por acaso. Invarivalmente, a pré-temporada dessas equipes acontece no continente, lotando estádios para ver partidas amistosas, e mais do que isso, criando uma experiência com a equipe, desde a chegada ao país, entrevistas, produtos, etc. Essas marcas são globais e seus dirigentes sabem disso.

Se os clubes brasileiros desejam mesmo entrar nesse nicho, precisam saber que a concorrência é feroz. Marcas mais valiosas estão no páreo com investidas de marketing consolidadas no mercado chinês (e asiático). Mas há espaço. Desde que os clubes se unam, briguem por datas mais flexíveis que permitam excursões, participem da venda de direitos ao maior número de países possíveis. A ousadia não pode ser apenas no discurso.

Rápida indagação: se a contratação de Zhizao tem como objetivo conseguir o interesse da China, não deveria o Corinthians disponibilizar um site em chinês?

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Texto no Trivela.com – marketing esportivo – estádios e arenas

Texto originalmente publicado em: http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/estadios-e-arenas

Outrora simples palcos, hoje fonte de novas rendas. Os estádios brasileiros transformaram-se em protagonistas de teorias sobre como clubes podem arrecadar mais recursos. Boa parcela dessas teses, inspiradas em exemplos europeus ou norte-americanos, apontam outras atividades lucrativas para esses palcos, além das tradicionais partidas.

Convencionou-se chamar isso de arena e o termo logo foi popularizado. Toda torcida quer ter a sua arena. Longe de ser saudosista ou contra posturas ousadas e arrojadas, a coluna pretende trazer uma reflexão sobre quão eficientes podem ser essas iniciativas na prática e como a falta de planejamento concreto esconde problemas óbvios.

Ações nem tão eficazes e o discurso comum
Naming rights. Ao justificar o interesse de empresas privadas em ajudar na construção de grandes estádios, alguns dirigentes afirmam que o retorno de mídia resultante dos naming rights é uma oportunidade incrível. Será mesmo? Lembre-se da última vez em que você se referiu ao estádio do Atlético Paranaense como Kyocera Arena. Ou melhor, a última vez que um canal de TV mencionou a marca detentora dos direitos. Enquanto isso, o Corinthians luta para achar um patrocinador que acredite ser forte o bastante para fazer esquecer o nome Itaquerão, como o estádio ficou conhecido. Faltam exemplos, sobram discursos.

Também expõem os futuros espaços como centro de convenções de negócios, novamente, usando exemplos europeus. A iniciativa é interessante, mas ainda está na teoria. Afinal, as grandes capitais brasileiras tem diversos espaços para esse ramo de atividade e as tais arenas ainda são uma incógnita. Carecemos de alguns grandes eventos de “business” como exemplo para consolidar as arenas como reais soluções.

Shows

Os shows musicias sim, são excelente fonte de arrecadação para clubes de futebol. No final de 2010, por exemplo, os shows no Morumbi trouxeram mais arrecadação ao São Paulo do que partidas no Brasileirão (R$4 mihões x R$3,4 milhões, números em Outubro de 2010). Como o Brasil já se consolidou como parte do roteiro de grandes artistas, a tendência é que a quantidade de shows aumente.

Entretanto, há uma óbvia ressalva que não é feita com a devida frequência. Aumentando o número de arenas, crescerá uma briga nos bastidores para hospedar shows e claro, alguém saírá perdendo. Daqui a alguns anos, quando um artista chegar em Porto Alegre, dois estádios terão condições de sediar o espetáculo.

Essa concorrência feroz que está por vir é pouco lembrada na hora de defender a construção de uma grande arena. Ou de explicar os investimentos.


Simplicidade que ficou de lado

A mania de grandiosidade tomou conta e pequenas ações que poderiam ser eficazes foram esquecidas. No fim das contas, ainda são estádios de futebol, mas muitos dirigentes não demonstram qualquer preocupação com a baixa média de público. Pensar no transporte do torcedor (em conjunto com as secretarias de transporte dos municípios) ou em uma melhor maneira de vender ingressos são ações que, no cenário de hoje, seriam consideradas revolucionárias. O preço dos ingressos segue incompatível com a qualidade dos serviços oferecidos e com a realidade brasileira, mas insistem em aproveitar-se da paixão dos torcedores.

Tour nos estádios, exposições, datas comemorativas. Aos poucos os clubes se mexem nesse aspecto, mas a obsessão pelas arenas multiuso deixa o futebol esquecido em alguns projetos.

Conclusão

Arena Barueri, Arena de Araraquara. Belos estádios que são pouco utilizados. Necessitamos de bons exemplos e principalmente, de planejamento concreto, onde números falem mais alto que expectativas.

Por isso o pé atrás com as novas arenas. A modernidade é benvinda. Só não podemos esquecer do futebol.

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Texto no Trivela.com – marketing esportivo – sites de clubes: por quê e para quem?

Texto originalmente publicado em: http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/sites-por-que-e-para-quem

Pense na seguinte situação: há um rumor daqueles indicando que seu clube contratará o principal jogador de um rival. Informações daqui, desmentidos dali e de repente você não sabe quem está com a razão. Sua próxima fonte de consulta seria o site oficial da equipe? Pouco provável. É natural que “oficialmente”, a assessoria do clube se afaste de desnecessárias polêmicas ou de especulações.

Esse é apenas um entre tantos exemplos de como o interesse nos sites oficiais dos times de futebol fica comprometido. Com tantos outros veículos que não precisam – nem devem – se importar com a tranquilidade nos bastidores das equipes, os torcedores têm poucos motivos para visitar os sites. A coluna visitou páginas de alguns dos principais clubes brasileiros e faz uma breve análise (afinal, o objetivo não é realizar um intenso estudo), além de eventuais sugestões.

Conteúdo de bastidores

Uma vez que a imprensa atenderá a demanda do torcedor por notícias polêmicas, como um site oficial pode ganhar audiência? Oferecer aquilo que a imprensa não tem acesso é uma boa saída. Sem mega produções, é possível mostrar imagens pré e pós jogos, links ao vivo da concentração, da equipe indo até o estádio para a próxima partida, no centro de treinamento ou entrevistas mais longas para que o jogador não precise responder apenas sobre os “três pontos”.

Invariavelmente essas imagens aparecem em documentários. Quando o clube divulga algo do gênero, as chances de isso ganhar repercussão na imprensa tradicional são grandes (por exemplo, o vídeo de Rogério Ceni anunciando seu afastamento devido à cirurgia). Aos poucos, os clubes começam a trabalhar em suas próprias emissoras de TV (como a TV Corinthians), o que automaticamente demandará intensa produção de conteúdo. O site, além de levar essas matérias ao público, também se transforma em um grande arquivo digital.

O desafio é mesmo pensar em conteúdo diferenciado. Informações comuns são encontradas em outros lugares e com abordagem muito mais interessante, diga-se.

Internacionalizar, pesquisar e promover

Por incrível que pareça, muitos sites não tem sequer versões em inglês e espanhol. Perdemos a chance de trazer novos visitantes de todo o mundo – incluindo nossos vizinhos, um pouco mais familiarizados, por causa dos confrontos nas competições sul-americanas. Não seria necessário fazer uma tradução completa, mas itens básicos como história do clube poderiam auxiliar na pesquisa de futebolistas e jornalistas ao redor do mundo. É óbvio, mas na prática não é realizado. Destaque para o site do Palmeiras que tem versões em inglês, espanhol e até italiano.

Os clubes também falham em um dos aspectos que tornariam seus sites mais úteis: a disponibilidade de fichas técnicas. Sim, requer um trabalho de pesquisa gigantesco. Mas quanto mais fichas técnicas, mais vezes o site é consultado e a credibilidade aumenta. O clube deveria ser o primeiro interessado em reunir dados de sua história e o maior número possível de registros. Entretanto, deixam isso para os historiadores e jornalistas publicarem em livros, quando poderiam ser contactados para eventuais parcerias.

E os patrocinadores? Boa pergunta. Na grande maioria das páginas, uma inserção de logotipo em meio à outros. Sites para promoções específicas? Ações online conjuntas? Nada disso. Sobram links e falta criatividade.

Percepções

Há muitas oportunidades para desenvolvimento, mas podemos dizer que os sites melhoraram muito de uns anos pra cá. Apesar de erros básicos como o de alguns que disponibilizam apenas a página em português, a estética tornou-se convidativa e a tendência, mesmo timidamente, aponta para a produção de conteúdo próprio.

Ainda assim, falta ousadia editorial e de marketing. Talvez os clubes estejam esperando o primeiro passo dos patrocinadores.

E você, acessa o site do seu time?

Gafe

O Bayern de Munique bem que tentou, mas não agradou a torcida em uma recente ação na internet. Na página oficial do clube, o torcedor recebeu a informação de que uma grande contratação seria anunciada em algumas horas. Passado o tempo previsto, eis que o reforço era – veja só – o próprio internauta, com seu nome e foto acompanhados da mensagem: “caros torcedores, vocês provavelmente já notaram que nós não contratamos um novo jogador. Esse aplicativo é para mostrar aos nossos torcedores sua importância para o clube”.

A ação terminou e começaram os protestos e reclamações na página. Depois, o Bayern postou uma mensagem de desculpas.

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Marketing esportivo – Trivela.com – mudanças no calendário

Texto publicado originalmente em: http://trivela.uol.com.br/coluna/coluna/marketing/mudancas-no-calendario

Mudanças no calendário

Há muito tempo, uma das grandes bizarrices no calendário do futebol brasileiro é não permitir que os campeões da Copa do Brasil defendam seu próprio título. Afinal, o vencedor vai para a Libertadores e fica excluído de participar da edição seguinte.

Falta de planejamento ou escassez de datas?

Seja lá o que for, só acontecerá mais uma vez. Ao menos é o que a CBF anunciou. A partir de 2013, quem disputar a principal competição continental entrará nas fases posteriores da Copa do Brasil, que será de Março à Novembro.

Óbvio, não é? Do ponto de vista dos negócios esportivos é ótimo para o torneio (que é patrocinado pela Kia, alguém sabia?). Maior duração, visibilidade e número de clubes. Agora, com os melhores classificados do ano anterior – e na teoria, melhores em campo – a competição ganha valorização.

A vantagem dada às equipes, entretanto, é discutível. Começando com oitenta clubes, o mata-mata segue até que sobrem dez (três rodadas). E aí, nas oitavas de final, chegam os participantes da Libertadores. Um ganho considerável para os grandes. A dúvida é dos menores: ficará mais difícil para eles aprontarem na competição, como invariavelmente fazem?

Com esse número gigantesco de clubes, a imagem da Copa do Brasil precisa ser melhor trabalhada. O que deveria ser a competição mais nacional de todas, promovendo ações futebolísticas por todos os cantos do país, muitas vezes é resumida ao “caminho mais curto para a Libertadores”. Parece pouco.

Sul-americana

E se as mudanças na Copa nacional parecem óbvias, as da Sul-americana causam estranheza e confusão. Vou resumir de forma rápida e indolor: dos oito eliminados nas oitavas da Copa-BR, os quatro melhores no Brasileirão anterior ganham vaga na Sul-americana. Entendeu?

Mais complicado que entender o critério é entender por que ele foi escolhido. Qual era o problema em dar a vaga apenas pela classificação no Brasileirão? Assim, a vaga teria um gosto de mérito, e não esse ar de ‘prêmio para perdedor’. As datas, sempre elas, poderiam vir de uma redução dos estaduais. Vai saber.

Ao menos terminou a chatíssima fase nacional, que servia de prelúdio à competição internacional. Pode ser a chance de equipes menos viajadas disputarem jogos pelos estádios do continente.

Em tempo: a Bridgestone patrocina a Copa Sul-americana. Você sabia? Já viu alguma ação de promoção do torneio promovido por Bridgestone ou Conmebol? Ah tá.

Em tempo nº 2: os clubes começam o ano sem saber exatamente quais torneios vão jogar. Como planejar ações assim? E se nem eles reclamam, quem palpitará sobre o regulamento?

Em tempo nº 3: talvez essas mudanças deixem a Copa do Brasil menos democrática. Talvez a vaga na Sul-americana seja vista com desdém. Mas dentre as dúvidas, há uma certeza. O calendário da CBF continua confuso.

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