Carta aberta para Mano Menezes

Publicado originalmente em: http://www.gavetadecueca.com.br/blog/carta-aberta-para-mano-menezes/

Caro Luiz Antônio,

apesar de achar mais educado começar a mensagem com seu nome verdadeiro, devo admitir que precisei pesquisar. Afinal, como tantos outros brasileiros, só ouvi falar de seu apelido: Mano Menezes.

Não o conheço pessoalmente e nunca tivemos nenhuma interação. Reconheço que em pouco tempo como técnico de expressão, você tem alguns feitos importantes no curriculum, o que não faz de mim fã empolgado com seu trabalho, tampouco observo em ti a tarimba de campeão – sabe, panca, cacife, aquelas coisas. Por outro lado, vejo o papel atribuído por nós aos treinadores como superestimado, e isso me leva a acreditar que talvez contigo no banco a seleção pudesse fazer uma boa Copa do Mundo daqui a dois anos.

Mas não o veremos no Mundial de 2014, afinal você foi demitido. É esse o motivo de minha carta. Apesar de não ser seu fã (que indelicadeza repetir isso) achei o processo escolhido para a demissão deveras covarde. E a explicação pública para a decisão foi pouco clara. Insatisfações técnicas com o trabalho, resultados abaixo do esperado? Que esses argumentos fossem apresentados, mesmo que desencadeassem uma série de outros questionamentos, demonstrariam um pouco mais de profissionalismo, como empresas fazem. Não foram.

Pois é, Mano. Fico com a sensação de que sua demissão foi apenas um dos pontos de uma briga detrás das cortinas do futebol nacional, tendo pouco ou nada a ver com divergências técnicas. Por mais animados ou irritados com seu trabalho estivessem os homens de gravata, sugere-se, por quem acompanha os bastidores de perto, que tiveram maior peso na decisão as correntes políticas, situação contra oposição e alianças com federações estaduais. Para muitos desses cartolas, tudo isso é bem mais importante do que a bola em jogo. E lá estava você, no meio deles, em território mais tenso do que a “Batalha dos Aflitos”, da qual você fez parte pelo Grêmio. Pelo menos aquela ficou dentro das quatro linhas.

Note: nem citei o nome do seu sucessor. Ele também não tem nada a ver com essa história. Não quero aqui analisar quem é atualmente melhor entre vocês dois, conterrâneos, aliás. E fico deveras chateado quando as análises sobre a troca de técnico da seleção entram nessa linha de raciocínio. Talvez seja isso que os envolvidos mais queriam. Quase conseguiram.

Não sei se você acompanhou o pronunciamento do presidente da CBF após sua saída, ou se preferiu assistir Chaves (seria compreensível), mas o dirigente em questão falou muito sem falar nada. Ao invés de abordar questões técnicas, esbravejou patriotadas como se sua demissão fosse óbvia, autoexplicativa. Por quê estamos falando disso mesmo? Agem como se todos envolvidos tivessem pensado na seleção e no desempenho em campo. Como quem previamente analisou minuciosamente o mercado para saber qual nome mais se adequa à filosofia de trabalho, se é que existe uma.

Mano Menezes, fica aqui minha solidariedade. Ao seguir sua carreira, saiba que carisma não é o principal, mas um pouco não o fará mal. A seleção brasileira também segue e claro, pode vencer a Copa em casa. Entre os méritos estariam o seu trabalho, o da atual comissão técnica e dos jogadores. O resto é achismo, de quem segue pensando que é através de escolhas aleatórias e não com planejamento que se comanda futebol. Assunto que para essa gente que te demitiu, é de pouquíssima importância.

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Tecnologia, polêmicas e injustiças

Publicado originalmente em 30/10/2012 no blog Esportividades: http://esportividades.wordpress.com/2012/10/30/tecnologia-polemicas-e-injusticas/

Estava com meus quinze anos e participava de um campeonato de tênis. Torneio pequeno, mas importantíssimo na minha cabeça. Sacava para fechar o jogo, consegui um ace – muito raro para meu estilo de saque – e quando preparava a comemoração, vi o adversário titubear e dizer: foi fora.

“Como assim, fora?”, pensei enquanto transformava a euforia em desespero.

O professor, que também era o árbitro da competição entre alunos, estava em outra quadra e não viu o ponto. Coube a um amigo do oponente dizer que a bola foi mesmo para fora. Ficou por isso mesmo. Inconformado, eu discutia sobre o ponto e simultaneamente percebia que seria necessário recomeçar um jogo ganho. A partida continuou por alguns outros pontos e perdi. Saí de quadra chorando, em um misto de imaturidade, raiva e sentimento de injustiça. Não era Roland Garros, era um pequeno torneio nas quadras em que eu treinava. Mas era triste demais saber que mesmo com aquela bola boa a vitória escapara.

Respeito as opiniões diversas mas se você já participou de competições, qualquer seja a relevância que você atribua a elas, são grandes as chances de que discorde dos que acham polêmicas e que erros de arbitragem são parte da beleza do esporte. Esporte – para ser mais específico, futebol, tema efervescente nessa e em tantas semanas – tem muitas outras peculiaridades. Por exemplo, a probablidade da equipe ou atleta mais fraco ganhar do mais forte. Acho incrível quando um time reconhece suas limitações e se defende contra um adversário ofensivo, aguenta a pressão e ganha por 1 a 0. Isso não é injusto. Injusto é perder por erros de outrem.

Antes, poucos lances ficavam na memória dos torcedores como “polêmicos”. Mas hoje, com inúmeras câmeras e jogos transmitidos, os erros que provavelmente sempre existiram são expostos com maior frequência. Entre as consequências, estão programas esportivos falando mais de arbitragens do que de gols ou dossiês de quem errou mais para qual equipe. Reconheço a subjetividade, mas pra mim isso não é o mais bonito.

Além disso, a tecnologia já é parte do jogo. Replays multicâmeras, televisões digitais de bolso, comunicação sem fio. Já está tudo lá para quem vê de longe e para quem está in loco. A adaptação dessa tecnologia não resolveria todos os problemas, mas ajudaria a minimizar os erros humanos que acontecem e acontecerão. Quem comanda o futebol pouco se manifesta, como se cedo ou tarde o problema desapareça sozinho. Resta saber quanta poeira aguenta esse tapete. Afinal, as informações chegam ao espetáculo sem que a FIFA as convide.

Há dez anos atrás, naquela quadra de tênis, elas seriam muito benvindas.

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Faltas: onde está errado?

Tottenham e Chelsea entraram em campo ontem, dia 20, pelo Campeonato Inglês. O Chelsea venceu por 4 a 2 e continua na liderança da competição. Clássico, jogo pegado e consequemente, cheio de faltas, certo? Errado. Quinze infrações foram marcadas pelo juiz. Quinze.

Em matéria de Lucas Borges, publicada no site da ESPN (clique aqui para ler) podemos constatar que a média de faltas do Campeonato Brasileiro é de incríveis 37,2 por jogo. Na mencionada Premier League, essa média cai para 20,75.

A pergunta é: estão marcando de menos lá ou estão apitando mais do que deveriam aqui? Como o contato é parte do futebol, fico com a segunda opção.

Enquanto isso, ficamos com essa série de pausas que deixam o jogo mais lento. Na dúvida, marca falta!

Obs.1: apenas para constar, importantes partidas na Alemanha e Itália aconteceram ontem (Borussia Dortmund x Schalke 04 e Juventus x Napoli). Foram marcadas 32 e 40 faltas, respectivamente. Apesar da média dessas ligas nacionais também ser menor do que a brasileira, evitemos generalizações. A reflexão sobre a diferença no número de infrações é mais interessante quando comparamos com o Campeonato Inglês.

Obs.2: a média é calculada até a 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. A matéria é de 28/09/2012.

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Regra e exceção

Publicado originalmente no blog Esportividades: http://esportividades.wordpress.com/2012/10/16/regra-e-excecao/

Estamos na trigésima rodada do Brasileirão 2012 e o líder Fluminense abriu nove pontos de diferença para o vice, Atlético Mineiro. Essa vantagem foi suficiente para alguns defensores da fórmula “mata-mata” recomeçarem o debate sobre uma suposta falta de emoção nos campeonatos de pontos corridos.

Há que se respeitar as opiniões, claro. Mas cuidado com a generalização. Rápido exercício, lembremos dos últimas rodadas dos quatro campeonatos anteriores: em 2008 o São Paulo precisou vencer o Goiás para ficar com o título; depois, o Flamengo derrotou o Grêmio e foi campeão; no ano seguinte o Fluminense fez 1 a 0 no Guarani para levar a taça; ano passado o Corinthians venceu o clássico com o Palmeiras antes de ser campeão brasileiro.

É claro que não há como garantir que a decisão do título fique para a rodada final nessa fórmula de disputa. Também é matematicamente inviável que oito equipes cheguem brigando pelo troféu. Porém, dizer que o Brasileirão ficou sem emoção é um pouco demais.

O debate é válido. Mas por favor, sem generalizar.

Europa não é país

“Lá na Europa isso não acontece”; “o juiz na Europa não dá esse tipo de falta”; “o futebol na Europa é de outro jeito”.

Você já deve ter lido isso em análises superficiais, principalmente quando comparamos alguma característica do nosso futebol com o que acontece em alguns países do velho continente. Veja bem, alguns países. E é por isso mesmo que não podemos generalizar a Europa como se tudo fosse a mesma coisa.

Falemos de público, por exemplo. “Na Europa os estádios são cheios”. Mais ou menos. Para ter como referência as quatro principais ligas, o público alemão e inglês é sim espantoso para nossos padrões. Por sua vez, a presença do torcedor nos campeonatos de Espanha e Itália não é assim tão impressionante.

Isso vai longe. Aprendizado tático, estilo de jogo, critério de arbitragem. Falamos “Europa” como se tudo fosse igual: da Lituânia a Portugal. As ligas são diferentes, cada uma com sua peculiaridade.

Generalizar tudo em discussões informais ou em tom de brincadeira, até vai. Mas além disso é falta de informação.

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Brasil x África do Sul: relembre o último encontro

Brasil e África do Sul se enfrentam nessa sexta-feira, 7, em amistoso no Estádio do Morumbi, São Paulo.

O blog É Pênalti aproveita a ocasião para lembrar qual foi a última vez em que essas duas seleções se encontraram. 25 de junho de 2009. E se dessa vez o jogo é aqui no Brasil, os sul-africanos foram os anfitriões dessa partida.

Mas o jogo em questão valia mais que um simples amistoso. Era a semifinal da Copa das Confederações, no Ellis Park, em Joanesburgo.

A seleção treinada por Dunga foi para o campo com a seguinte formação: Júlio César, Maicon, Lúcio, Luisão, André Santos (Daniel Alves), Gilberto Silva, Felipe Melo, Ramires, Kaká, Robinho e Luís Fabiano (Kleberson).

1 a 0 para o Brasil, gol de Daniel Alves aos quarenta e três minutos do segundo tempo. A seleção brasileira viria a ser campeã do torneio ao vencer os Estados Unidos na final por 3 a 2.

Veja o gol de Daniel Alves:

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Nem todo gol contra é golaço

É batata! Quando tem gol contra na rodada basta esperar os programas esportivos para ouvir locutores e comentaristas:

– E fulano marcou um golaço… contra!

Pois bem, aí vai uma triste notícia. Nem todo gol contra é golaço. Considere que alguns jogadores não conseguem fazer boas jogadas nem intencionados, que dirá quando não?

Às vezes com chute forte (Castor-aqui), em certeira cabeceada (Óseas-aqui) ou por cobertura (Júnior Baiano-aqui). Na maioria das vezes, é aquele desvio aqui, ali e acolá, antes da bola atravessar a linha errada.

– O zagueirão guardou… só que contra!

Pare de reclamar, você pode estar pensando. Ok, eu paro. Mas por favor, não saia chamando todos os próximos gols contra de golaços.

Em tempo: tudo isso pra terminar dizendo que Rodrigo Arroz, do Guarani, foi autor de uma pérola na última terça-feira. Não me lembro de ter visto gol contra mais peculiar.

Aliás, que golaço, hein?

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