Tecnologia, polêmicas e injustiças

Publicado originalmente em 30/10/2012 no blog Esportividades: http://esportividades.wordpress.com/2012/10/30/tecnologia-polemicas-e-injusticas/

Estava com meus quinze anos e participava de um campeonato de tênis. Torneio pequeno, mas importantíssimo na minha cabeça. Sacava para fechar o jogo, consegui um ace – muito raro para meu estilo de saque – e quando preparava a comemoração, vi o adversário titubear e dizer: foi fora.

“Como assim, fora?”, pensei enquanto transformava a euforia em desespero.

O professor, que também era o árbitro da competição entre alunos, estava em outra quadra e não viu o ponto. Coube a um amigo do oponente dizer que a bola foi mesmo para fora. Ficou por isso mesmo. Inconformado, eu discutia sobre o ponto e simultaneamente percebia que seria necessário recomeçar um jogo ganho. A partida continuou por alguns outros pontos e perdi. Saí de quadra chorando, em um misto de imaturidade, raiva e sentimento de injustiça. Não era Roland Garros, era um pequeno torneio nas quadras em que eu treinava. Mas era triste demais saber que mesmo com aquela bola boa a vitória escapara.

Respeito as opiniões diversas mas se você já participou de competições, qualquer seja a relevância que você atribua a elas, são grandes as chances de que discorde dos que acham polêmicas e que erros de arbitragem são parte da beleza do esporte. Esporte – para ser mais específico, futebol, tema efervescente nessa e em tantas semanas – tem muitas outras peculiaridades. Por exemplo, a probablidade da equipe ou atleta mais fraco ganhar do mais forte. Acho incrível quando um time reconhece suas limitações e se defende contra um adversário ofensivo, aguenta a pressão e ganha por 1 a 0. Isso não é injusto. Injusto é perder por erros de outrem.

Antes, poucos lances ficavam na memória dos torcedores como “polêmicos”. Mas hoje, com inúmeras câmeras e jogos transmitidos, os erros que provavelmente sempre existiram são expostos com maior frequência. Entre as consequências, estão programas esportivos falando mais de arbitragens do que de gols ou dossiês de quem errou mais para qual equipe. Reconheço a subjetividade, mas pra mim isso não é o mais bonito.

Além disso, a tecnologia já é parte do jogo. Replays multicâmeras, televisões digitais de bolso, comunicação sem fio. Já está tudo lá para quem vê de longe e para quem está in loco. A adaptação dessa tecnologia não resolveria todos os problemas, mas ajudaria a minimizar os erros humanos que acontecem e acontecerão. Quem comanda o futebol pouco se manifesta, como se cedo ou tarde o problema desapareça sozinho. Resta saber quanta poeira aguenta esse tapete. Afinal, as informações chegam ao espetáculo sem que a FIFA as convide.

Há dez anos atrás, naquela quadra de tênis, elas seriam muito benvindas.

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Champions League – rodada 3: a defesa é o ataque

Alan fez dois gols e o Braga vencia o Manchester United por 2 a 0 até sofrer a virada em jogo válido pelo grupo H da Liga dos Campeões, na última terça-feira, 23.

Em Barcelona, o time de casa perdia para o Celtic por 1 a 0 até o final do primeiro tempo, quando empatou. Só conseguiu o gol da vitória no último minuto da segunda etapa, também pela Liga dos Campeões.

Manchester United e Barcelona estão entre os favoritos não só para vencer a competição europeia mas também para levar suas respectivas ligas nacionais. Entretanto, algo chama a atenção nas duas equipes: o número de gols sofridos.

Nesse quesito a estatística entre ambos é idêntica. Foram oito rodadas até aqui na Premier League e em La Liga. Os dois times sofreram onze gols. Na Liga dos Campeões, três gols em três jogos para cada.

Vale a pena prestar atenção e corrigir as falhas. Mas apesar do número considerável de gols sofridos, isso não chega a ser uma crise. Afinal, United e Barça estão com 100% de aproveitamento na Champions League. Apenas Porto e Málaga têm campanha semelhante.

Talvez para essa temporada eles adotem aquele velho lema: “a melhor defesa é o ataque”.

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Faltas: onde está errado?

Tottenham e Chelsea entraram em campo ontem, dia 20, pelo Campeonato Inglês. O Chelsea venceu por 4 a 2 e continua na liderança da competição. Clássico, jogo pegado e consequemente, cheio de faltas, certo? Errado. Quinze infrações foram marcadas pelo juiz. Quinze.

Em matéria de Lucas Borges, publicada no site da ESPN (clique aqui para ler) podemos constatar que a média de faltas do Campeonato Brasileiro é de incríveis 37,2 por jogo. Na mencionada Premier League, essa média cai para 20,75.

A pergunta é: estão marcando de menos lá ou estão apitando mais do que deveriam aqui? Como o contato é parte do futebol, fico com a segunda opção.

Enquanto isso, ficamos com essa série de pausas que deixam o jogo mais lento. Na dúvida, marca falta!

Obs.1: apenas para constar, importantes partidas na Alemanha e Itália aconteceram ontem (Borussia Dortmund x Schalke 04 e Juventus x Napoli). Foram marcadas 32 e 40 faltas, respectivamente. Apesar da média dessas ligas nacionais também ser menor do que a brasileira, evitemos generalizações. A reflexão sobre a diferença no número de infrações é mais interessante quando comparamos com o Campeonato Inglês.

Obs.2: a média é calculada até a 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. A matéria é de 28/09/2012.

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Atenções divididas

Texto originalmente publicado em: http://trivela.uol.com.br/inglaterra/atencoes-divididas

Recebi essa semana um e-mail do Manchester United. A mensagem – obviamente automática – me convidava para ser parte do fã-clube online do clube com uma mensagem em português que em resumo dizia o seguinte: “Nossos torcedores fazem uma grande diferença. Para fazer a diferença, cadastre-se aqui”.

Tive a oportunidade de visitar Old Trafford em 2011 e talvez meu e-mail esteja no banco de dados do clube desde então. Outra hipótese é que isso seja resultado de algum mailing  desses tantos que nos inscrevemos e nem recordamos. Deixemos a investigação de lado. Este convite virtual para ser parte do fã-clube do United é o gancho dessa coluna: a relação entre times e torcedores geograficamente distantes.

Usemos como parâmetro o público brasileiro – o asiático já foi conquistado faz tempo. Clubes considerados globais como Real Madrid, Milan e o próprio Manchester United, desenvolvem sites em diversos idiomas, além de excursionar por diversos lugares do planeta em períodos de pré-temporada. A ascensão da popularidade dessas equipes aqui no Brasil é visível há algum tempo. A diferença de uns anos para cá é o interesse despertado por clubes menores ou por campeonatos outrora esquecidos. Antes tema de alucinados por futebol, hoje observamos mais e mais pessoas debatendo os destaques de Newcastle, Mallorca ou Fiorentina. Às vezes também sabem quando ocorrerá o próximo clássico do futebol turco.

Há os que acham isso empolgante e os que tratam com desprezo. Entre os que desdenham, o argumento é de que o torcedor de arquibancada tem uma relação diferente com o time, mais próxima e pessoal. Afinal, acompanhar uma rotina de jogos in loco torna-se impossível caso seu time esteja em outro continente (se você é milionário, favor desconsiderar a última frase). Apesar de bastante familiarizado com futebol internacional, confesso ainda estranhar quando leio sobre aqueles que torcem apenas por um clube europeu. De qualquer forma, ser bairrista e achar que esses fatores externos não são concorrência na hora de conseguir a atenção do torcedor é um erro tremendo de qualquer departamento de marketing.

Negar a presença desses clubes no nosso cotidiano é negar o óbvio. O que começou com uniformes e videogames hoje está presente nas televisões – incluindo emissoras abertas – internet e nas conversas de segunda-feira. A consequência são pitacos sobre a escalação do Bayern Munique ou críticas ao técnico da Internazionale. Achar que mais pessoas virão sem o menor esforço é ingenuidade.

E mais: times brasileiros poderiam tentar fazer o mesmo. Dentro do Brasil, podemos ter torcedores de outras equipes em diferentes regiões que invariavelmente são simpáticos a um segundo clube. A América do Sul também se apresenta como mercado em potencial mas para que propostas assim se realizem, seria importante que as diretorias trabalhassem em conjunto (e aí entramos na infelizmente famigerada discussão sobre a liga de clubes).

Antes que algum dirigente ou profissional de marketing esportivo diga que isso é bobagem, duas perguntas: quantas camisas de times nacionais foram preteridas na compra por uniformes europeus? Quantas pessoas deixaram de ir ao estádio para assistir algum clássico na Espanha, Itália ou Inglaterra? Vale a pena pensar.

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Regra e exceção

Publicado originalmente no blog Esportividades: http://esportividades.wordpress.com/2012/10/16/regra-e-excecao/

Estamos na trigésima rodada do Brasileirão 2012 e o líder Fluminense abriu nove pontos de diferença para o vice, Atlético Mineiro. Essa vantagem foi suficiente para alguns defensores da fórmula “mata-mata” recomeçarem o debate sobre uma suposta falta de emoção nos campeonatos de pontos corridos.

Há que se respeitar as opiniões, claro. Mas cuidado com a generalização. Rápido exercício, lembremos dos últimas rodadas dos quatro campeonatos anteriores: em 2008 o São Paulo precisou vencer o Goiás para ficar com o título; depois, o Flamengo derrotou o Grêmio e foi campeão; no ano seguinte o Fluminense fez 1 a 0 no Guarani para levar a taça; ano passado o Corinthians venceu o clássico com o Palmeiras antes de ser campeão brasileiro.

É claro que não há como garantir que a decisão do título fique para a rodada final nessa fórmula de disputa. Também é matematicamente inviável que oito equipes cheguem brigando pelo troféu. Porém, dizer que o Brasileirão ficou sem emoção é um pouco demais.

O debate é válido. Mas por favor, sem generalizar.

De bom tamanho para os anfitriões

Velocidade e técnica. Essas duas características estiveram presentes hoje no grande duelo entre Manchester City e Borussia Dortmund, válido pelo grupo D da Liga dos Campeões.

Joe Hart, goleiro do City, jogou demais. É verdade que pelo Dortmund, Marco Reus marcou e Lewandowski perdeu gol incrível. Mas não fosse Hart, a equipe alemã teria saído de Manchester com um resultado melhor.

No ataque dos citizens, Dzeko começou titular e depois entrou Baloteli. Tevez ficou no banco. Balotelli alías, empatou em pênalti controverso marcado por uma mão na bola. Foi a tal interpretação do árbitro.

Pouco para o Dortmund, de bom tamanho para o City. No outro jogo da chave, o Real Madrid venceu o Ajax por 4 a 1, três gols de Cristiano Ronaldo e um golaço de Benzema.

Joe Hart jogou muito e ajudou o City a sair com o empate. Crédito: jsportsblogger

Liga dos Campeões: segunda rodada

02/10

Grupo E

Nordsjaelland (DIN) 0x4 Chelsea (ING)
Juventus (ITA) 1×1 Shakhtar Donetsk (UCR)

Grupo F

BATE Borisov (BLR) 3×1 Bayern de Munique (ALE)
Valencia (ESP) 2×0 Lille (FRA)

Grupo G

Benfica (POR) 0x2 Barcelona (ESP)
Spartak Moscou (RUS) 2×3 Celtic (ESC)

Grupo H

Cluj (ROM) 1×2 Manchester United (ING)
Galatasaray (TUR) 0x2 Braga (POR)

03/10

Grupo A

Porto (POR) 1×0 PSG (FRA)
Dínamo de Kiev (UCR) 2×0 Dinamo Zagreb (CRO)

Grupo B

Arsenal (ING) 3×1 Olympiacos (GRE)
Schalke 04 (ALE) 2×2 Montpellier (FRA)

Grupo C

Zenit (RUS) 2×3 Milan (ITA)
Anderlecht (BEL) 0x3 Malaga (ESP)

Grupo D

Ajax (HOL) 1×4 Real Madrid (ESP)
Manchester City (ING) 1×1 Borussia Dortmund (ALE)

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Arsenal 1×2 Chelsea

Arsenal: Mannone, Jenkinson, Koscielny, Vermaelen e Gibbs; Arteta, Diaby (Chamberlain) e Cazorla; Ramsey (Walcott), Podolski (Giroud) e Gervinho.

Chelsea: Cech, Ivanovic, David Luiz (Cahill), Terry e Ashley Cole; Mikel, Ramires, Mata (Bertrand), Oscar (Mose) e Hazard; Fernando Torres.

Escalação antes do texto? Nesse caso, apenas para ilustrar a diferença entre os times que, mesmo grande, não inibiu a expectativa para o clássico londrino do último fim de semana, válido pela Premier League.

De um lado estava o Chelsea, atual campeão europeu e líder da liga. O Arsenal, mesmo sem Van Persie estava invicto e vencer os blues seria um bom indicador de que a equipe poderia pensar em voos maiores.

O zagueiro Koscielny foi destaque negativo do Arsenal. Permitiu a finalização de Fernando Torres que abriu o placar e, quando a partida já estava empatada, não cortou uma cobrança de falta de Mata: 2 a 1, Chelsea.

É cedo para descartar o Arsenal entre candidatos ao título. Mas após o segundo grande teste, os resultados são empate e derrota contra City e Chelsea, respectivamente (sim, descartei o Liverpool, que o Arsenal venceu fora de casa por 2 a 0 na terceira rodada).

Na semana de Liga dos Campeões, Chelsea enfrenta o Nordsjelland, na Dinamarca e o Arsenal recebe o Olympiacos.

Até onde vão esses times?

Juan Mata marcou o segundo gol do clássico. Crédito: Trivela.com

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