Texto no Trivela.com – marketing esportivo – estádios e arenas

Texto originalmente publicado em: http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/estadios-e-arenas

Outrora simples palcos, hoje fonte de novas rendas. Os estádios brasileiros transformaram-se em protagonistas de teorias sobre como clubes podem arrecadar mais recursos. Boa parcela dessas teses, inspiradas em exemplos europeus ou norte-americanos, apontam outras atividades lucrativas para esses palcos, além das tradicionais partidas.

Convencionou-se chamar isso de arena e o termo logo foi popularizado. Toda torcida quer ter a sua arena. Longe de ser saudosista ou contra posturas ousadas e arrojadas, a coluna pretende trazer uma reflexão sobre quão eficientes podem ser essas iniciativas na prática e como a falta de planejamento concreto esconde problemas óbvios.

Ações nem tão eficazes e o discurso comum
Naming rights. Ao justificar o interesse de empresas privadas em ajudar na construção de grandes estádios, alguns dirigentes afirmam que o retorno de mídia resultante dos naming rights é uma oportunidade incrível. Será mesmo? Lembre-se da última vez em que você se referiu ao estádio do Atlético Paranaense como Kyocera Arena. Ou melhor, a última vez que um canal de TV mencionou a marca detentora dos direitos. Enquanto isso, o Corinthians luta para achar um patrocinador que acredite ser forte o bastante para fazer esquecer o nome Itaquerão, como o estádio ficou conhecido. Faltam exemplos, sobram discursos.

Também expõem os futuros espaços como centro de convenções de negócios, novamente, usando exemplos europeus. A iniciativa é interessante, mas ainda está na teoria. Afinal, as grandes capitais brasileiras tem diversos espaços para esse ramo de atividade e as tais arenas ainda são uma incógnita. Carecemos de alguns grandes eventos de “business” como exemplo para consolidar as arenas como reais soluções.

Shows

Os shows musicias sim, são excelente fonte de arrecadação para clubes de futebol. No final de 2010, por exemplo, os shows no Morumbi trouxeram mais arrecadação ao São Paulo do que partidas no Brasileirão (R$4 mihões x R$3,4 milhões, números em Outubro de 2010). Como o Brasil já se consolidou como parte do roteiro de grandes artistas, a tendência é que a quantidade de shows aumente.

Entretanto, há uma óbvia ressalva que não é feita com a devida frequência. Aumentando o número de arenas, crescerá uma briga nos bastidores para hospedar shows e claro, alguém saírá perdendo. Daqui a alguns anos, quando um artista chegar em Porto Alegre, dois estádios terão condições de sediar o espetáculo.

Essa concorrência feroz que está por vir é pouco lembrada na hora de defender a construção de uma grande arena. Ou de explicar os investimentos.


Simplicidade que ficou de lado

A mania de grandiosidade tomou conta e pequenas ações que poderiam ser eficazes foram esquecidas. No fim das contas, ainda são estádios de futebol, mas muitos dirigentes não demonstram qualquer preocupação com a baixa média de público. Pensar no transporte do torcedor (em conjunto com as secretarias de transporte dos municípios) ou em uma melhor maneira de vender ingressos são ações que, no cenário de hoje, seriam consideradas revolucionárias. O preço dos ingressos segue incompatível com a qualidade dos serviços oferecidos e com a realidade brasileira, mas insistem em aproveitar-se da paixão dos torcedores.

Tour nos estádios, exposições, datas comemorativas. Aos poucos os clubes se mexem nesse aspecto, mas a obsessão pelas arenas multiuso deixa o futebol esquecido em alguns projetos.

Conclusão

Arena Barueri, Arena de Araraquara. Belos estádios que são pouco utilizados. Necessitamos de bons exemplos e principalmente, de planejamento concreto, onde números falem mais alto que expectativas.

Por isso o pé atrás com as novas arenas. A modernidade é benvinda. Só não podemos esquecer do futebol.

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Texto no Trivela.com – marketing esportivo – sites de clubes: por quê e para quem?

Texto originalmente publicado em: http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/sites-por-que-e-para-quem

Pense na seguinte situação: há um rumor daqueles indicando que seu clube contratará o principal jogador de um rival. Informações daqui, desmentidos dali e de repente você não sabe quem está com a razão. Sua próxima fonte de consulta seria o site oficial da equipe? Pouco provável. É natural que “oficialmente”, a assessoria do clube se afaste de desnecessárias polêmicas ou de especulações.

Esse é apenas um entre tantos exemplos de como o interesse nos sites oficiais dos times de futebol fica comprometido. Com tantos outros veículos que não precisam – nem devem – se importar com a tranquilidade nos bastidores das equipes, os torcedores têm poucos motivos para visitar os sites. A coluna visitou páginas de alguns dos principais clubes brasileiros e faz uma breve análise (afinal, o objetivo não é realizar um intenso estudo), além de eventuais sugestões.

Conteúdo de bastidores

Uma vez que a imprensa atenderá a demanda do torcedor por notícias polêmicas, como um site oficial pode ganhar audiência? Oferecer aquilo que a imprensa não tem acesso é uma boa saída. Sem mega produções, é possível mostrar imagens pré e pós jogos, links ao vivo da concentração, da equipe indo até o estádio para a próxima partida, no centro de treinamento ou entrevistas mais longas para que o jogador não precise responder apenas sobre os “três pontos”.

Invariavelmente essas imagens aparecem em documentários. Quando o clube divulga algo do gênero, as chances de isso ganhar repercussão na imprensa tradicional são grandes (por exemplo, o vídeo de Rogério Ceni anunciando seu afastamento devido à cirurgia). Aos poucos, os clubes começam a trabalhar em suas próprias emissoras de TV (como a TV Corinthians), o que automaticamente demandará intensa produção de conteúdo. O site, além de levar essas matérias ao público, também se transforma em um grande arquivo digital.

O desafio é mesmo pensar em conteúdo diferenciado. Informações comuns são encontradas em outros lugares e com abordagem muito mais interessante, diga-se.

Internacionalizar, pesquisar e promover

Por incrível que pareça, muitos sites não tem sequer versões em inglês e espanhol. Perdemos a chance de trazer novos visitantes de todo o mundo – incluindo nossos vizinhos, um pouco mais familiarizados, por causa dos confrontos nas competições sul-americanas. Não seria necessário fazer uma tradução completa, mas itens básicos como história do clube poderiam auxiliar na pesquisa de futebolistas e jornalistas ao redor do mundo. É óbvio, mas na prática não é realizado. Destaque para o site do Palmeiras que tem versões em inglês, espanhol e até italiano.

Os clubes também falham em um dos aspectos que tornariam seus sites mais úteis: a disponibilidade de fichas técnicas. Sim, requer um trabalho de pesquisa gigantesco. Mas quanto mais fichas técnicas, mais vezes o site é consultado e a credibilidade aumenta. O clube deveria ser o primeiro interessado em reunir dados de sua história e o maior número possível de registros. Entretanto, deixam isso para os historiadores e jornalistas publicarem em livros, quando poderiam ser contactados para eventuais parcerias.

E os patrocinadores? Boa pergunta. Na grande maioria das páginas, uma inserção de logotipo em meio à outros. Sites para promoções específicas? Ações online conjuntas? Nada disso. Sobram links e falta criatividade.

Percepções

Há muitas oportunidades para desenvolvimento, mas podemos dizer que os sites melhoraram muito de uns anos pra cá. Apesar de erros básicos como o de alguns que disponibilizam apenas a página em português, a estética tornou-se convidativa e a tendência, mesmo timidamente, aponta para a produção de conteúdo próprio.

Ainda assim, falta ousadia editorial e de marketing. Talvez os clubes estejam esperando o primeiro passo dos patrocinadores.

E você, acessa o site do seu time?

Gafe

O Bayern de Munique bem que tentou, mas não agradou a torcida em uma recente ação na internet. Na página oficial do clube, o torcedor recebeu a informação de que uma grande contratação seria anunciada em algumas horas. Passado o tempo previsto, eis que o reforço era – veja só – o próprio internauta, com seu nome e foto acompanhados da mensagem: “caros torcedores, vocês provavelmente já notaram que nós não contratamos um novo jogador. Esse aplicativo é para mostrar aos nossos torcedores sua importância para o clube”.

A ação terminou e começaram os protestos e reclamações na página. Depois, o Bayern postou uma mensagem de desculpas.

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