Mistério carioca

Os primeiros anos de pontos corridos no Brasileirão foram tomados por uma enxurrada de comentários sobre estrutura, (des)organização e planejamento. Ao invés de discutir sobre o melhor time, o assunto eram os melhores elencos, diretores e até centros de treinamento.

E era aí que os clubes cariocas entravam em cena, pela porta dos fundos. Nos seis primeiros campeonatos com este formato, a taça foi para Minas Gerais uma vez e cinco seguidas para São Paulo. Nesse período, poucas vezes equipes do Rio sonharam com a taça.

Os motivos nem eram tão óbvios assim. Afinal, problemas internos e falta de estrutura são rotineiros para quase todos os clubes (e não me arrisco a dizer quais são exceção). Talvez o natural sentimento de grandeza tenha atrapalhado. Era complicado para torcedores e diretorias enxergar a então nova realidade. O título ficara mais difícil, e a vaga na Libertadores era o bastante.

Era o Vasco de Eurico, o Flamengo das crises, o Fluminense de Horcades e o Botafogo da série B em 2003.

Eis que o cenário mudou. O Flamengo foi campeão em 2009, o Fluminense em 2010 e o Vasco levou a Copa do Brasil em 2011. E no atual Brasileirão, ainda em pontos corridos, os cariocas aparecem entre os cinco melhores.

O que aconteceu? Não dá pra botar na conta da organização. O cotidiano apararenta ser (pouco) mais transparente com os presidentes Dinamite, Patrícia, Siemsen e Assumpção. Mas se lembrarmos que PC Gusmão era o técnico do início fraco dos vascaínos em 2011, veremos que o planejamento não é lá aquele primor.

Em análise fria, os problemas desses quatro são os mesmos que de todos os outros. Fica então o mistério: por que os cariocas demoraram tanto pra acordar?

Washington, Fred, Emerson e Conca. Fluminense campeão em 2010.

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Marketing esportivo – rumo ao Marrocos – (Trivela.com)

Olá leitores,

deixo aqui mais um texto na minha coluna sobre marketing esportivo no site Trivela.com. O tema é o Mundial de Clubes.

Rumo ao Marrocos

Santos, Barcelona e os candidatos à Mazembe 2011 se encontram no Japão, entre os dias 08 e 18 de Dezembro. O Mundial de Clubes organizado pela Fifa, às vésperas de sua sétima edição, começa a ganhar formato, apesar da aparente postura blasé dos europeus. Considerando o Mundial de 2000 (não debateremos antigas polêmicas aqui), além do Brasil apenas Japão e Emirados Árabes sediaram a competição. Não é necessário ser um expert em Geografia para deduzir que nos últimos seis anos, o melhor clube do mundo ergueu a taça no continente asiático.

Novidades estão a caminho. É verdade que o Japão também é o local do torneio em 2012, mas para os dois anos seguintes, o provável anfitrião é o Marrocos. Além dos marroquinos, Irã, África do Sul e Emirados Árabes eram os postulantes, mas os três últimos desistiram da candidatura, deixando o Marrocos com terreno livre.

Interessante notar que após sediar sua primeira Copa do Mundo, o continente africano receberá duas edições do Mundial – a candidatura é para ser o anfitrião em 2013 e 2014. Mas será a África atração suficiente para o torneio decolar?

Dois pesos

Vamos deixar o politicamente correto e falar aqui dos clubes que historicamente simbolizam esse torneio. O Mundial de Clubes foi, por muito tempo (até o Mazembe), a partida entre sul-americanos e europeus. É assim desde a década de 60, quando jogos eram disputados nos dois continentes.

Mas é consenso que a taça vale muito mais para os campeões da Libertadores do que para quem vence a Liga dos Campeões. E você pode estar pensando: problema deles?

Sim e não.

Por um lado, um campeonato não pode implorar pelo interesse de uma confederação, mesmo sendo ela a mais influente nos negócios do futebol mundial. Não custa lembrar que as Copas de 30 e 50, sediadas na América do Sul, não ganharam tanto interesse dos europeus. E quantos países não gostariam hoje de dizer que são campeões do mundo?

Por outro lado, a visibilidade garantida pelos europeus não pode ser descartada. No frigir dos ovos, são as equipes de lá que impulsionariam a importância do torneio, e consquentemente maior rentabilidade e divulgação – pensemos aqui nos clubes, pois rentabilidade não faltam às confederações citadas.

Façamos um exercício. Vamos sugerir algumas alterações que poderiam deixar o torneio mais interessante. Note que os aspectos mercadológicos acabam esbarrando nos técnicos (que em uma competição esportiva, devem sempre prevalecer, diga-se). Convido o leitor a também deixar sugestões no espaço para comentários abaixo.

E se…

– Torneio a cada dois anos (entre Copa e Eurocopa). O número de participantes pode dobrar e o formato ganhar cara de ‘Copa do Mundo’. Além disso, pode ser jogado no fim da temporada europeia. O aspecto desfavorável é que clubes da América do Sul precisariam ajeitar seus calendários. Além disso, a Copa das Confederações, outro evento FIFA, também dividiria as atenções.

– Maior premiação. Não tem segredo, é só aumentar a premiação que o interesse aumenta. A Champions League está aí para mostrar (claro, também tem o prestígio).

– Uma edição na Europa. Seria curioso ver como o continente que mais sediou Copas do Mundo, cuidaria de sua primeira edição do Mundial de Clubes. Pode ser um passo importante.

Até lá

Enquanto isso não acontece, seguimos discutindo os mesmos pontos. Para nós, o ápice de um clube. Para eles, um problema no calendário ainda maior. Agora, ao invés do tradicional jogo único, o campeonato dura uma semana.

E você que se acostumou a dizer “Rumo à Tóquio” a cada boa campanha do seu time, vai começar a variar os lugares. Comece a treinar o “Rumo ao Marrocos”.

Internazionale e a taça do Mundial de Clubes em 2010

Confira o texto no site Trivela.com: http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/rumo-ao-marrocos

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Tá por fora? Resumo dos europeus!

Os campeonatos europeus começam a engrenar. E se você não tem ideia do que aconteceu até agora, confira o resumo feito pelo Blog É Pênalti. Abordaremos aqui os quatro principais campeonatos do continente: inglês, alemão, italiano e espanhol.

Campeonato Inglês

Seria um exagero dizer que a liga inglesa virou um campeonato particular da cidade de Manchester. Mas os dois clubes de lá estão no topo da tabela, com uma curiosa inversão de valores. O United, maior vencedor das ligas nacionais está em segundo lugar, enquanto seus vizinhos do City assumem a liderança. E tem mais: na última rodada os citizens venceram o United por sonoros 6 a 1, no Old Trafford. Histórico.

Liverpool e Arsenal demonstram desde o início que não terão fôlego para brigar pelo troféu. Vale ficar de olho no Chelsea, do técnico André Villas-Boas, atualmente na terceira posição.

G-4

1ºManchester City – 25 pontos
2ºManchester United – 20 pontos
3ºChelsea – 19 pontos (6 vitórias)
4ºNewcastle – 19 pontos (5 vitórias)

Campeonato Alemão

Tradição fala alto na atual temporada. Nas três primeiras posições, três das maiores torcidas alemãs. O Bayern de Munique perdeu para o Hannover na última rodada, mas parece nos trilhos para recuperar o título. Os atuais campeões do Borussia Dortmund decepcionam na Liga dos Campeões, mas já estão na vice-liderança, um ponto acima de seus rivais, o Schalke 04. Os míseros cinco pontos que separam o primeiro do sétimo colocado dão um ar de Brasileirão ao campeonato.

G-4

1ºBayern de Munique – 22 pontos
2ºBorussia Dortmund – 19 pontos
3ºSchalke 04 – 18 pontos (6 vitórias)
4ºHannover – 18 pontos (5 vitórias)

Campeonato Italiano

Se a liga alemã está equilibrada o que dizer de um campeonato que tem o líder e o décimo primeiro colocado separado por seis pontos? O italiano está assim. A tradicional Juventus está na liderança, mas ainda precisa de mais vitórias convincentes para mostrar que brigará pelo título. A Internazionale ocupa a desconfortável décima sexta posição, e seus rivais do Milan apaarecem em quinto, atrás de Napoli, Lazio e Udinese, além dos líderes. No mais, uma série de times com pontuação similar deixam o italiano com título de campeonato mais imprevisível. Que continue assim!

G-4

1ºJuventus – 16 pontos
2ºUdinese – 15 pontos (saldo de gols, 7)
3ºLazio – 15 pontos (salgo de gols, 4)
4ºNapoli – 14 pontos

Campeonato Espanhol

Não, o líder não é nem Barcelona, nem Real Madrid. O primeiro lugar é do Levante, o outro time de Valencia. Invicto na competição, o Levante derrotou hoje a Real Sociedad por 3 a 2, conquistando sua sétima vitória. Os dois gigantes estão logo atrás, e é de se esperar que a ultrapassagem ocorra logo. Mas está interessante ver essa caça ao pequeno.

G-4

1ºLevante – 23 pontos
2ºReal Madrid – 22 pontos
3ºBarcelona – 21 pontos
4ºValencia – 18 pontos

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Brasileirão, o demolidor de palpites

Sete pontos separam os cinco primeiros. Esse é o Brasileirão.

Equilíbrio é pouco para o campeonato mais divertido das últimas temporadas. O mais legal é que essa homogeneidade dos times dificulta quaisquer prognósticos para as próximas rodadas. É só analisar a última.

Nela, o Fluminense, brigando para uma vaga na Libertadores, enfrentou o Atlético Mineiro, na luta contra o rebaixamento. Onde? No Rio. Resultado? 2 a 0 pro Galo.

Botafogo, candidato ao título, contra o Avaí, candidato à Série B. Vitória do time catarinense, 3 a 2.

Agora você arriscaria dizer que Ceará (décimo sétimo) e Cruzeiro (décimo quinto) serão presas fáceis para os mesmos Fluminense e Botafogo?

No campeonato maluco, as únicas certezas são a de que o América Mineiro caiu e o Santos está satisfeito com o meio da tabela.

Até lá, mais sete rodadas. E sete chances para errar muitos palpites.

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Tabela da Copa: comentários

Divulgada a tabela da Copa. Segundo a FIFA, foi montada considerando algumas questões logísticas, viagens e acomodação. Será mesmo?

Leonardo Bertozzi, jornalista da ESPN fez um interessante cálculo (link abaixo) sobre a distância que os participantes vão percorrer. Que o Brasil é um país gigantesco, todos sabemos. Mas, como longas distâncias entre as sedes eram inevitáveis, não seria melhor tentar equilibrar as viagens entre os participantes?

Em seu cálculo, Bertozzi aponta que o cabeça de chave do grupo H, se locomoverá por modestos 696 quilômetros na primeira fase (entre Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo). Enquanto isso, a seleção quatro do grupo G percorrerá incríveis 5.598 quilômetros (Natal, Manaus e Recife).

Outro fator inusitado é o de que o Brasil só jogará no Rio de Janeiro caso o Brasil vá à final. Pode ser que o deformado e reformado estádio, apesar do bilhão investido, nem veja as cores da seleção. Será que pensaram nisso?

Vale notar os horários. Diversos jogos serão às 13:00. Mesmo sendo em Junho e Julho, meses costumeiramente mais frios, podemos ter altas temperaturas similares às da Copa de 94 (considerando as regiões Norte e Nordeste, principalmente). E os europeus terão sua versão da “Copa Japão-Coreia”, com jogos às 22:00 do horário de Brasília, equivalente às 03:00 de muitos países de lá.

No mais, o resto não surpreendeu. São Paulo na abertura e Rio no encerramento. Mas é triste ver que estádios caríssimos – e com dinheiro público – como Cuiabá e Manaus sediarão apenas quatro jogos de primeira fase. Vale o preço?

Link para coluna de Leonardo Bertozzi: http://espn.estadao.com.br/leonardobertozzi/post/221691_COPA+2014+MAIOR+PERCURSO+AEREO+E+OITO+VEZES+O+MENOR

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O confuso Palmeiras

Não é novidade o que escrevo aqui: politicamente, o Palmeiras se tornou uma bagunça.

E olha que para ser chamado de bagunça no cenário desorganizado do nosso futebol, é necessário algum esforço.

Recapitulemos. Fim da fase Parmalat, Mustafá Contursi, rebaixamento. Depois, vieram os novos presidentes Della Monica e (o conceituado) Luiz Gonzaga Belluzzo, e com eles, ares de mudança.

Os ares rapidamente se foram.

Mesmo com bons times, o (péssimo) ambiente interno interfere na rotina do clube. Diretores vaidosos cujos interesses não parecem ser exatamente o bom desempenho do Palmeiras.

Polêmica de cá, polêmica de lá, chegou Felipão. “Agora vai”, pensaram alguns palmeirenses.

Não foi.

Nem vamos aqui discutir aspectos ‘dentro de campo’. Mas sem respaldo da direção não há técnico que faça bom trabalho. Com a diretoria omissa, Felipão virou uma espécie de faz-tudo da equipe.

E assim segue o Palmeiras. Sem um ambiente sequer razoável para impedir que qualquer problema vire crise emergencial.

O caso Kléber não será o último.

Com a diretoria omissa, Felipão segue respondendo por crises no elenco

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Coluna Trivela – mais uma camisa que não irá vender – marketing esportivo

Texto publicado em: http://trivela.uol.com.br/coluna/coluna/marketing/mais-uma-camisa-que-nao-ira-vender

Mais uma camisa que não irá vender

O Grêmio anunciou o lançamento de um quarto uniforme, a ser escolhido pelos próprios torcedores nas redes sociais. A promoção é voltada para o dia das crianças e também um incentivo para que os pequenos gremistas participem da decisão.

Poderíamos aqui elogiar a participação do Grêmio nas redes sociais. Porém, essa promoção evidencia qual é a postura predominante do departamento de marketing dos clubes nacionais: lançamento de produtos. O licenciamento é parte da estratégia, desde que os hábitos do torcedor-consumidor sejam minimamente compreendidos.

Essa prática já foi abordada aqui na coluna. Ao contratar um jogador, o departamento justifica o retorno financeiro através do “marketing” (assim mesmo, entre aspas), lança pilhas e pilhas de novos produtos, e pior, com preços acima da média para os padrões nacionais.

Repetindo, o erro não é apresentar novos itens. O erro é não entender o que o torcedor quer, e nem quanto ele pode pagar.
Produtos mais baratos?

Rápida pesquisa em sites de algumas das lojas oficiais. O São Paulo até possui camisetas especiais de Luís Fabiano por um interessante preço de R$59,90. Mas no mesmo site é possível encontrar uma camisa polo de R$129,90 e um boné por nada modestos R$79,90(!).

No site do Flamengo, as camisetas seguem com o (elevado) preço padrão. Poucos acessórios além de uniformes são disponibilizados. Ah, uma curiosidade: também é possível comprar produtos que nada tem a ver com o clube, como ar condicionado, piscina e televisor. Não me pergunte o motivo.

Pesquisas não faltam. Os dados fornecidos pelo Ibope poderiam ser interpretados para identificar oportunidades ou evitar o que parece saturado. Cabe aos clubes proporcionar um número maior de itens por um preço mais cômodo. Negociar a viabilização com os fornecedores também é marketing (agora sem aspas) e atingiria em cheio aqueles torcedores que querem participar, mas não tem condição financeira para tal.

O Grêmio não é o primeiro e provavelmente não será o último clube a cometer esse erro. Até lá, cabe ao consumidor parcelar em 10 vezes.

Ou não comprar.

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