Coluna Trivela – a velha e contemporânea discussão – marketing esportivo

Na semana passada o diretor de marketing do Corinthians, Luís Paulo Rosenberg, foi entrevistado pelo portal UOL e falou sobre um tema que já se tornou um clichê nos debates esportivos: a dúvida entre pontos corridos e mata-mata.

Invarivavelmente essa discussão carrega conteúdo emocional, quando os argumentos são condicionados pelo desempenho do time do discursante. Não é o caso. Em 2005, o Corinthians de Rosenberg foi campeão com essa fórmula. E no ano passado viu o título escapar nas últimas rodadas. Ainda assim, o diretor do clube paulista considera que o campeonato “é mais rentável e democrático” com a antiga fórmula.

Tentemos aqui, sem tomar partido de nenhuma das causas, analisar os prós e contras dos dois regulamentos. Por questão de espaço, os argumentos serão resumidos. E pela recorrência do tema, você provavelmente já leu algumas das coisas a seguir.

Um ou outro?

Talvez a grande vantagem de um campeonato em pontos corridos seja o calendário. Quarenta times entre as séries A e B têm a garantia de jogar até Dezembro. Essas datas fixas, que não dependem do desempenho, são (ou deveriam ser) usadas pelos clubes como barganha na hora de conseguir parceiros.

As datas fixas também alimentam a utopia de carnês de ingressos, ou de promoção para a venda antecipada de múltiplos jogos. Mas, sejamos francos, isso ainda está longe da nossa cultura de torcedores.

Esportivamente, todos os jogos valem o mesmo. Isso facilitaria a promoção, tornando cada rodada um minievento. Entretanto, confederação e clubes pouco exploram esse produto.

Comparemos então os argumentos apresentados acima com o outro modelo de disputa, o mata-mata (ou playoffs, caso prefira a influência internacional). A tal promoção mencionada no parágrafo acima é flagrantemente notável nos jogos eliminatórios. É mais fácil atrair a atenção para uma semifinal do que para a décima segunda rodada. Muitos dos grandes públicos e memórias desses torcedores estão atrelados à jogar desse gênero.

Mas o calendário também pode ser vilão. Lembremos que as equipes não classificadas para as fases seguintes, cruelmente ficavam no limbo, quase dois meses sem uma partida. Um desespero para clubes e anunciantes. As constantes mudanças na fórmula também comprometiam a credibilidade do torneio.

Conclusão contínua

A discussão não é nova e nem está perto de ser encerrada. Publicamente, os principais interessados (confederação, clubes, emissoras que transmitem e parceiros) pouco debatem. Sabe-se que a Rede Globo já tentou um lobby para que a fórmula voltasse ao mata-mata, alegando queda do interesse.

Precisaríamos de um estudo maior e mais detalhado para chegar à uma conclusão (o que não é a proposta, nem o espaço dessa coluna). Mas não é arriscado dizer que muitos dos problemas do campeonato não estão atrelados à fórmula.

As contínuas interferências da CBF nas datas, o êxodo de jogadores, o descaso com o torcedor. Problemas que assolam o campeonato com qualquer regulamento. Por ora, defender ou criticar os pontos corridos parece mais uma questão de interpretar a informação como for mais conveniente.

Isso seria um bom assunto para as reuniões da Liga Nacional organizada pelos próprios clubes. Mas a famigerada criação da liga já virou um chavão em discussões sobre administração do futebol.

Tal qual a discussão da fórmula do campeonato.

Texto originalmente publicado em: http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/velha-e-contemporanea-discussao

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About Junior Lourenço
25 anos, jornalista e publicitário. Editor do blog É Pênalti e do 30jardas – a comunidade do polo brasileiro (http://www.30jardas.com.br). Colunista de Marketing Esportivo do site Trivela.com- (http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/) Siga também no twitter – http://www.twitter.com/juniorlourenco

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