Ronaldinho, o Rio e a Copa

Ronaldinho chegou ao Flamengo com status de estrela. Justo, para campeonatos que carecem de jogadores famosos mesmo com a tendência de repatriação dos últimos anos. E justo também para ele que foi um dos grandes da década, especialmente pelos anos dourados vividos em Barcelona.

O post não irá analisar a contratação tecnicamente. Mas sim outros aspectos inclusos na sua volta ao Brasil. O primeiro deles é o salário. Ou melhor, a forma encontrada para viabilizá-lo. Um milhão e oitocentos mil(!) reais é um dinheiro altíssimo para qualquer jogador em qualquer país. Especialmente quando pago por um clube que aparece com certa frequência nas manchetes por honorários atrasados. Terá o Flamengo definido bem as estratégias para esse retorno? Conseguiu o departamento de marketing rubronegro construir objetivos, ações e campanhas em tão pouco tempo? É de se pensar. Ou melhor, é para se perguntar e se explicar.

Falando em perguntas, a entrevista de apresentação foi perto do ridículo. Questionamentos absolutamente insossos – que inacredivalmente foram submetidos à um filtro pela assessoria de imprensa flamenguista – e acolhedores demais. Não raro começavam com “qual a sensação?” ou terminavam com “isso é verdade?”. Mas talvez o pior de tudo foi a presença de torcedores(ou conselheiros?) no local, que com palmas depois de algumas respostas do jogador, transformavam o ambiente em uma cópia de programa de auditório.

Ainda no Rio…

Em uma triste coincidência, no mesmo dia da apresentação de Ronaldinho o Rio de Janeiro sofreu com deslizamentos que resultaram na morte de ao menos 200 pessoas. Triste, mas não por acaso. A cidade sofre com problemas básicos e ainda sim ganhou o direito de sediar uma Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.

Sem entrar no mérito esportivo, o Rio de Janeiro tem coisas muito mais importantes para investir do que em reforma de estádios ou construções de quadras megalomaníacas. Nesta semana, o jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil, publicou em seu blog um texto que fala sobre a reforma da Maracanã que conduzirá à gastos de um bilhão de reais (link abaixo).

Esse discurso não pode ficar batido e os gastos com Copa e Olimpíadas não podem cair no esquecimento da população. Essa conta também deve explicações. Muito mais do que o salário de Ronaldinho.

Link para o texto de Mauro Cezar Pereira: http://migre.me/3Bo3q

Siga também no twitter: http://www.twitter.com/juniorlourenco

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About Junior Lourenço
25 anos, jornalista e publicitário. Editor do blog É Pênalti e do 30jardas – a comunidade do polo brasileiro (http://www.30jardas.com.br). Colunista de Marketing Esportivo do site Trivela.com- (http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/) Siga também no twitter – http://www.twitter.com/juniorlourenco

2 Responses to Ronaldinho, o Rio e a Copa

  1. Parabens pelo texto – resume bem a “presepada”… como um amigo comento, isso vai dar errado pelo BEM do futebol Brasileiro, afinal de contas … o rabo não pode balançar o cachorro…

  2. Flávia says:

    Muito bom, Juninho!
    Conseguiu integrar vários assuntos numa única matéria, e ainda deixou uma mensagem de reflexão a respeito dos problemas do Rio …
    Muito legal !!!

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