Idas e vindas

O êxodo de jogadores brasileiros afeta nosso futebol todo ano. O número de transferências oscila, mas é certo que grande parte dos destaques de cada time deixará seus clubes após um curto período.

Antes, a demanda pela mão-de-obra – ou pé-de-obra, no caso – era de centros tradicionais como Espanha e Itália. Da última década até os dias atuais, perdemos jogadores para países de futebol menos atraente como Rússia, Turquia, Ucrânia, entre outros.

O principal motivo são melhores salários, em busca do que os próprios atletas chamam de independência financeira. Motivo justo e válido para todas as áreas profissionais, diga-se. O assunto do post porém, é o fenômeno da adaptabilidade, ou melhor, da falta dela, que afeta os nossos jogadores.

Não é raro ver um atleta demonstrar insatisfação pouco tempo depois de uma transferência. O frio é um dos motivos mais citados, especialmente para quem vai enfrentar o gélido inverno do leste europeu. Óbvio que se acostumar com as baixíssimas temperaturas que pairam por aquela região não é tarefa simples para ninguém, muito menos para brasileiros. Mas cá entre nós, difícil crer que jogador e seus empresários desconheciam o fato. Ou seus agentes lhe venderam a imagem de que a Rússia é a terra do surfe? Ou que a Ucrânia é conhecida por suas praias e calor escaldante?

Algumas vezes tidos como craques incontestáveis em clubes nacionais, jogadores podem enfrentar resistência inicial de técnicos que não o conhecem como gostariam. Com trabalho, dedicação e talento, todos conquistam seu espaço. Mas, alguns querem sucesso imediato e justificam a reserva com o tradicional “o treinador não gosta de mim”. Repare como boa parte dos mal-sucedidos em território estrangeiro, atribui seu fracasso à uma perseguição de técnicos. Como explicar, porém, que tantos jogadores nascidos aqui já brilharam por lá?

Pior do que todas essas explicações, é quando a insatisfação culmina na falta de profissionalismo. Muitas vezes incentivados por empresários, os “não adaptados” dão início à um processo de desgaste, faltando à treinos, reclamando e fazendo de tudo para voltar à qualquer clube nacional que o aceite de braços abertos.

E acontece. Voltam com status de estrelas, ganhando os mesmos salários e com a fortuna acumulada do clube estrangeiro que um dia ousou bancá-lo.

Se devolvem o dinheiro? Não, esse já está bem adaptado em algum lugar.

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About Junior Lourenço
25 anos, jornalista e publicitário. Editor do blog É Pênalti e do 30jardas – a comunidade do polo brasileiro (http://www.30jardas.com.br). Colunista de Marketing Esportivo do site Trivela.com- (http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/) Siga também no twitter – http://www.twitter.com/juniorlourenco

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