Zebra? Não, obrigado

Fim de semana atípico nos campeonatos europeus. Favoritos foram derrotados, mas é crueldade chamar os placares de zebras. Pelos seguintes motivos:

Roma 1 x 0 Internazionale (Campeonato Italiano)

A Inter vinha de bons resultados na Série A, enquanto a Roma começou mal das pernas. Mas não é que o clube da capital venceu por 1 a 0, com gol de Vucinic nos últimos minutos?

E onde está a crueldade? A equipe romanista não teve o melhor dos inícios, mas tem um elenco razoável e joga a Liga das Campeões. Além do mais, manteve o técnico Cláudio Ranieri, responsável pelo trabalho que culminou no vice-campeonato da temporada passada.

Bayern de Munique 1 x 2 Mainz (Campeonato Alemão)

O atual campeão e fortíssimo Bayern de Munique foi derrotado em casa pelo surpreendente Mainz. Com a derrota, o Bayern caiu para a nona colocação da Bundesliga. Muito pouco para as pretensões bávaras.

E onde está a crueldade? O Mainz é simplesmente o líder da liga e tem seis vitórias em seis jogos. De quebra, o primeiro gol ainda foi de letra, marcado por Allagui.

Manchester City 1 x 0 Chelsea (Campeonato Inglês)

Avassalador, o Chelsea tinha cem por centro de aproveitamento na Premier League. O gol de Tévez foi apenas o segundo gol sofrido pelo time londrino. Suficiente para derrubar a invencibilidade.

E onde está a crueldade? O City investiu uma fortuna nas últimas duas temporadas para tentar algo além de classificações intermediárias. Teve as cinco contratações mais caras da temporada inglesa e precisa traduzir as cifras em resultados. Já é o quarto colocado.

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Mudanças bruscas

A Confederação Sul-Americana de Futebol, Conmebol, anunciou nesta semana que o país do campeão da Libertadores 2010 não terá uma vaga adicional na edição de 2011, como previsto. Isso provocou um rebuliço no Brasileirão, principalmente para os clubes que lutam diretamente por essa vaga.

Essa decisão poderia prejudicar clubes de todos os países envolvidos, e por coincidência neste ano afetará os times daqui. Sem julgar o critério adotado para tal medida, o problema principal foi a data do anúncio. Estamos em Outubro, apenas três meses antes da fase preliminar da Libertadores 2011. Uma mudança tão brusca no regulamento deveria esperar ao menos um ano para entrar em vigor. Mais uma entre tantas provas de desorganização da Conmebol.

E como o campeonato nacional será afetado, a Confederação Brasileira de Futebol, CBF, não pode aceitar a decisão sem protesto. Deve sim tentar reverter a abrupta decisão para que o Brasileirão conceda vaga aos quatro melhores convocados, promovendo maior interesse das equipes participantes.

Os clubes aliás, também precisam cobrar o apoio da CBF. Simplesmente acatar é mostrar indiferença à polêmica decisão. E se nem eles se importarem, quem irá?

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Santos, Dorival, Neymar

Ah, Santos…

Quando acreditamos que esta fosse uma diretoria diferenciada em todos os aspectos, eis que ela agiu como quase todas as outras. Entre a punição justa imposta pelo técnico Dorival Junior ou relacionar Neymar para o jogo desta quarta-feira, optaram pelo atacante.

Ah, Dorival…

Tentou ser disciplinar com um jogador que, lembremos, demonstrou rebeldia em alto e bom som para quem quisesse ouvir à beira do campo contra o Atlético/GO. Talvez sentiu que apenas barrá-lo contra o Guarani não era o bastante. Era necessária a ausência no clássico, onde certamente, o impacto seria maior. Perdeu a queda de braço e teve que ouvir na coletiva de imprensa dos dirigentes santistas que executou uma “quebra de hierarquia”.

Ah, Neymar…

Até que o jogador se pronuncie sobre, difícil saber qual foi a participação dele em todo esse imbróglio da demissão. Talvez nenhum. É possível que seu staff – família, empresários – estivessem envolvidos em reuniões antes da decisão, mas não o jovem atleta. Entretanto, Neymar perdeu uma grande chance de aproveitar seu prestígio e bancar a permanência do técnico. Importante frisar que, com Dorival, o jogador apareceu muito mais do que no comando de Luxemburgo. Pedir à direção que o técnico continuasse seria um belo exemplo de gratidão. E sua imagem mudaria completamente.

No dia 18 deste mês, o Blog É Pênalti publicou um post com o título “Privilégios ou Punições”   (https://epenalti.wordpress.com/2010/09/18/privilegios-ou-punicoes/ ), comentando o atual momento do Santos. O post diz que é importante Neymar entender que não é dono do clube apenas por ter rejeitado a proposta do Chelsea. Depois de mais esse episódio, será difícil convencê-lo do contrário.

Dorival não é mais técnico do Santos

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Idas e vindas

O êxodo de jogadores brasileiros afeta nosso futebol todo ano. O número de transferências oscila, mas é certo que grande parte dos destaques de cada time deixará seus clubes após um curto período.

Antes, a demanda pela mão-de-obra – ou pé-de-obra, no caso – era de centros tradicionais como Espanha e Itália. Da última década até os dias atuais, perdemos jogadores para países de futebol menos atraente como Rússia, Turquia, Ucrânia, entre outros.

O principal motivo são melhores salários, em busca do que os próprios atletas chamam de independência financeira. Motivo justo e válido para todas as áreas profissionais, diga-se. O assunto do post porém, é o fenômeno da adaptabilidade, ou melhor, da falta dela, que afeta os nossos jogadores.

Não é raro ver um atleta demonstrar insatisfação pouco tempo depois de uma transferência. O frio é um dos motivos mais citados, especialmente para quem vai enfrentar o gélido inverno do leste europeu. Óbvio que se acostumar com as baixíssimas temperaturas que pairam por aquela região não é tarefa simples para ninguém, muito menos para brasileiros. Mas cá entre nós, difícil crer que jogador e seus empresários desconheciam o fato. Ou seus agentes lhe venderam a imagem de que a Rússia é a terra do surfe? Ou que a Ucrânia é conhecida por suas praias e calor escaldante?

Algumas vezes tidos como craques incontestáveis em clubes nacionais, jogadores podem enfrentar resistência inicial de técnicos que não o conhecem como gostariam. Com trabalho, dedicação e talento, todos conquistam seu espaço. Mas, alguns querem sucesso imediato e justificam a reserva com o tradicional “o treinador não gosta de mim”. Repare como boa parte dos mal-sucedidos em território estrangeiro, atribui seu fracasso à uma perseguição de técnicos. Como explicar, porém, que tantos jogadores nascidos aqui já brilharam por lá?

Pior do que todas essas explicações, é quando a insatisfação culmina na falta de profissionalismo. Muitas vezes incentivados por empresários, os “não adaptados” dão início à um processo de desgaste, faltando à treinos, reclamando e fazendo de tudo para voltar à qualquer clube nacional que o aceite de braços abertos.

E acontece. Voltam com status de estrelas, ganhando os mesmos salários e com a fortuna acumulada do clube estrangeiro que um dia ousou bancá-lo.

Se devolvem o dinheiro? Não, esse já está bem adaptado em algum lugar.

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Justificativas

Felipão em entrevista coletiva após a derrota para o São Paulo, sugeriu que é vítima de um complô que resulte em más arbitragens.

O diretor Gilberto Cipullo reforça o coro e diz que o Departamento Jurídico do Palmeiras tomará providências para protestar.

E de futebol, ninguém fala? Não.

Esse caso do alviverde é apenas um entre tantos e tantos. Não raro, técnicos, jogadores e diretores, desviam o foco de uma série de atuações ruins para más arbitragens, na opinião deles, claro.

Exemplos recentes nos mostram que às vezes, a reclamação vai um pouco além. Jogadores, técnico e diretoria do Botafogo reclamaram efusivamente após uma derrota para o Flamengo, em 2008, no que foi uma constrangedora cena onde os jogadores bradavam sua revolta em meio às lágrimas. Antes da final da Copa do Brasil de 2008, a direção do Internacional montou um dossiê com erros dos árbitros que beneficiavam o Corinthians, seu rival na decisão.

Arbitragem é um tema que se incorporou ao futebol mais do que devia. A simples discussão do “estava ou não impedido” deu lugar à detalhes dispensáveis como “inverteu faltas”, “atrasou o jogo” ou até “esqueceu o cartão”.

Em muitos casos, a parte técnica e tática dos jogos fica de lado. Talvez seja essa é a pretensão de muita gente.

Entrevista dos jogadores do Botafogo após derrota para o Flamengo, em 2008.

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Schalke 04, 04 derrotas.

Na última edição do campeonato alemão, Schalke 04 e Bayern de Munique brigaram até às últimas rodadas pelo título. O time de Munique levou o troféu, mas o vice-campeonato do Schalke rendeu uma vaga na Liga dos Campeões da Europa.

Muitas mudanças aconteceram da temporada passada para esta. Quatorze jogadores saíram e dezesseis jogadores foram contratados. Entre as principais aquisições estão os atacantes Raúl e Huntelaar, ex-Real Madrid e Milan, respectivamente.

O técnico, Felix Magath, é o mesmo. Ainda assim, algo está errado com os azuis neste começo de campeonato.

Após quatro rodadas na Bundesliga, colecionam quatro derrotas. É a única equipe que não pontou. O mais recente dos tropeços gera repercussão ainda maior. Neste Domingo, jogando em seu estádio, o Schalke foi vencido pelo seu maior rival, o Borussia Dortmund. O clássico terminou 3 a 1 para os amarelos, que dominaram o confronto do começo ao fim.

E não é só no campeonato local que os resultados estão ruins. A estreia na Liga dos Campeões foi desanimadora, quando foram derrotados pelo Lyon, na França.

O desastroso começo pode ser atribuído à um desentrosamento do novo elenco, à falta de qualidade dos jogadores ou ao trabalho de Felix Magath. Qualquer seja o problema, o Schalke precisa encontrar a solução. E rápido.

Raul e Magath: começo de temporada é muito ruim

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Privilégios ou punições?

Neymar recusou a proposta do Chelsea. Recusou ou recusaram por ele. Ficou no Santos, ganhou elogios, gerou elogios ao clube e tudo corria bem.

Eis que o rapaz começou a criar polêmicas e dividir opiniões não sobre seu futebol, mas sobre seu comportamento. Antes, os adversários acusavam Neymar de ter uma postura desrespeitosa. Agora, os imbróglios acontecem dentro da sua própria equipe. Ofendeu o técnico e ganhou a reprovação de seus companheiros.

Após o último incidente, o treinador Dorival Junior exige uma punição ao jogador, o que parece bem cabível. Por outro lado, à diretoria santista tenta chegar à um acordo, no que parece ser mais um entre os tantos privilégios do atacante.

É importante que Neymar entenda que não é dono de tudo só por ter ficado no Santos. Mas cabe aos dirigentes do clube mostrá-lo. Resta saber se eles querem.

Neymar ofendeu o técnico Dorival Junior. Qual será a punição?

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