Dia 19 – Bienvenidos

Duas vitórias não muito empolgantes e uma derrota. Assim foi a titubeante campanha dos espanhóis na primeira fase da Copa do Mundo. Pois ontem, nas oitavas de final contra Portugal, eles finalmente estreiaram. A Espanha jogou como dela se espera, com muitas trocas de passes, talento e controle de quase toda a partida. O magro placar de 1 a 0 não reflete a superioridade em campo do time de Xavi, Iniesta e Villa.

A seleção espanhola esbarrou na brilhante atuação do goleiro Eduardo, que se despediu da Copa levando apenas esse gol. O sistema defensivo de Portugal aliás foi uma contradição. É o ponto mais forte da equipe e funcionou muito bem nos quatro jogos. Entretanto, os portugueses ficaram reféns da postura que impôs o técnico Carlos Queiroz, não demonstrando quase nenhuma opção de mudança, mesmo com a parcial derrota.

Cristiano Ronaldo será muito criticado pela imprensa portuguesa. De fato, o Mundial do melhor do mundo em 2008 deixou a desejar. Porém, o esquema tático quase covarde da seleção exige muito do jogador do Real Madrid. É como se todos ficassem na defensiva, e esperassem que em algum momento, Ronaldo driblasse três ou quatro para marcar.

Classificação com justiça, pois os espanhóis são um melhor time e mostraram isso dentro de campo. Agora, enfrentam o Paraguai nas quartas de final. Os paraguaios derrotaram o Japão nos pênaltis, após partida que terminou 0 a 0.

Villa já tem 4 gols na Copa

Confrontos de quartas de final definidos:

Holanda x Brasil (sexta – 02/07 – 11:00)
Uruguai x Gana (sexta – 02/07 – 15:30)
Argentina x Alemanha (sábado – 03/07 – 11:00)
Paraguai x Espanha (sábado – 03/07 – 15:30)

Até os dias de jogos, acesse o Blog É Pênalti para as prévias dos 4 jogos decisivos dessa semana.

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Dia 18 – Sem sustos

Era quase certo que Marcelo Bielsa colocaria em campo uma escalação ofensiva, afinal, esse é o estilo da atual seleção chilena. Não poderia ser diferente agora, nas oitavas de final de um Copa do Mundo. Mas será que o retrospecto negativo contra o Brasil não faria “El loco” Bielsa mudar de ideia? Não, não fez.

O Chile manteve essa postura até quando pode. Atacou, arriscou chutes e seus jogadores foram aplicados para marcar os brasileiros. Tudo isso desmoronou com a cabeçada de Juan que chegou até o fundo das redes do goleiro Bravo. 1 a 0. Placar propício para o Brasil usar sua arma letal: o contra-ataque. Não tardou muito e ainda no primeiro tempo o trio ofensivo foi implacável. De Robinho, para Kaká, para Luís Fabiano fazer seu terceiro gol no Mundial.

No segundo tempo, é justo dizer que o Chile não apelou para a violência. Continuou tentando, e até exigiu boa defesa de Julio Cesar em chute de Suazo. Esforços em vão, pois quem marcou de novo foi Robinho, em linda jogada de Ramires.

Foi uma boa atuação da seleção brasileira. Ramires deu mobilidade ao meio-campo, Lúcio e Juan foram muito bem e o ataque funcionou. O adversário, não é dos mais renomados, mas é um bom time, e Bielsa um grande treinador. O que o Brasil soube fazer, foi impor sua superioridade aos chilenos, que não puderam ir mais além.

Agora, vem aí a Holanda, que venceu os quatro jogos da Copa até aqui (apenas a Argentina tem esse mesmo retrospecto). Os holandeses venceram a Eslováquia por 2 a 1 mantendo o mesmo estilo de jogo. Um time frio, que sabe quando precisa atacar e como fazê-lo. Agora, reforçados por Arjen Robben que parece recuperado de lesão e pela primeira vez começou um jogo no torneio. No primeiro tempo, após passe de Sneijder ele já fez um belo gol, mostrando que a espera valeu a pena.

Brasil e Holanda farão grande jogo na sexta feira. Até lá, o Blog É Pênalti trará mais detalhes sobre esse e os outros confrontos das quartas de final.

Luís Fabiano driblou o goleiro antes de marcar o segundo gol

Nesta terça, mais dois jogos de oitavas de final: Paraguai x Japão e Espanha x Portugal. Para o resumo dos jogos, além dos perfis de todas as seleções acesse o Blog É Pênalti.

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Dia 17 – Contra-ataques, talento e arbitragem

Lamentável que em um dia com dois excelentes jogos, seja inevitável comentar a arbitragem que prejudicou os espetáculos. Erros nos duelos entre Alemanha e Inglaterra, e Argentina e México, foram graves do ponto de vista técnico. Mesmo assim, alemães e argentinos tiveram exibições tão boas que não podem ser ignoradas.

No clássico de extrema rivalidade entre ingleses e alemães, os prognósticos eram variados. Uns achavam que a Alemanha manteria o bom nível apresentado e que a nova geração de talentos conseguiria se impor no jogo. Outros, que mesmo sem atuações convincentes na primeira fase, a Inglaterra iria encontrar sua melhor forma. Acertou quem pensou na primeira opção. Como jogou a Alemanha neste domingo! Com trinta e dois minutos, já venciam por 2 a 0 dando lições de como contra-atacar.

Curioso é que quando o english team parecia mais perdido em campo, diminuiu em um gol de cabeça do zagueiro Upson. Pouco depois, o lance mais polêmico da partida, e talvez da Copa até aqui. Lampard chutou uma bola no travessão que ultrapassou (e muito) a linha do gol, mas a arbitragem entendeu que não e mandou o jogo seguir. Os mais atentos a história dos Mundiais rapidamente lembraram-se da final de 1966, quando um gol marcado na prorrogação pela Inglaterra causou a mesma discussão. Os alemães, assim como boa parte dos outros torcedores, dizem que a bola não entrou e até hoje não se chegou a uma conclusão. Ironicamente, aconteceu o inverso em um lance que já é antológico.

E no segundo tempo, mais contra-ataques do time comandado por Joachim Low. A goleada por 4 a 1 não deixa dúvidas de que a Alemanha merecidamente está nas quartas de final, enquanto a Inglaterra se despede da África do Sul sem nenhuma grande partida, se transformando em uma das maiores decepções desse mundial.

Thomas Muller foi um dos destaques da vitória alemã

Mais tarde, Argentina e México também proporcionaram uma excelente partida. Apesar da postura teoricamente defensiva do mexicano, eles criaram ótimas chances no começo, com direito a uma bola no travessão. Aos poucos, o ataque argentino se soltava e em uma das investidas, surgiu um lance muito controverso. Após chute de Lionel Messi, Tevez em completo impedimento desviou para o gol. Revolta dos jogadores mexicanos que ficou ainda maior após uma rápida conversa do assistente com o árbitro, possivelmente depois do replay ter sido exibido no telão. A equipe mexicana logo depois sentiu outro golpe. Osorio falhou feio na defesa, deixando a bola de graça para o Higuaín que driblou o goleiro e fez 2 a 0. Higuaín com quatro gols, é agora o artilheiro do Mundial.

O jogo ainda teve tempo para um princípio de confusão entre os jogadores durante o intervalo, um golaço de Tevez e um golaço de Hernandez, descontando para o México. O placar de 3 a 1 reflete a superioridade dos hermanos que passam para a próxima fase.

Argentina e Alemanha é um duelo aguardadíssimo para as quartas de final. Em 2006, se enfrentaram nessa mesma situação e os alemães venceram nos pênaltis. Considerando o que as duas equipes tem jogado, é de se esperar um confronto sensacional, marcado para o próximo sábado.

Tévez comemora seu golaço com os reservas

Nesta segunda, mais dois jogos de oitavas de final: Holanda x Eslováquia e Brasil x Chile. Para mais informações sobre o retrospecto entre brasileiros e chilenos, leia o post ‘Velhos conhecidos’, do dia 26/06.

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Dia 16 – A albiceleste e a África resistem

O primeiro jogo das oitavas de final foi marcante para os uruguaios. Após a vitória por 2 a 1 contra a Coreia do Sul, o Uruguai estava nas quartas de uma Copa do Mundo quarenta anos depois. E assim como a classificação para o Mundial foi conquistada com muito drama, a vitória sobre os sul-coreanos não foi diferente.

Apesar do público e condições do gramado relativamente decepcionantes, o jogo foi bem interessante. Logo no começo, um lance que envolveu os três jogadores do ataque uruguaio resultou no primeiro gol da partida. Cavani lançou Forlán, que tentou um passe nas costas da defesa adversária. Funcionou, e com a falha na saída do goleiro Sung-Ryong, a bola sobrou para Suárez que abriu o placar.

Gols no começo podem dar a sensação de que o resto do embate será fácil. Nesse caso, enganosa sensação. A Coreia do Sul continuou com o mesmo bom desempenho que teve durante o torneio e no segundo tempo dominou o time albiceleste, até conseguir o gol de empate, com Chung-Yong. A partir daí, o caratér eliminatório do jogo, além da chuva que caiu deram o tom dramático para os minutos finais. Eis que Suárez, artilheiro do campeonato holandês e um dos principais goleadores da Europa marcou um golaço, desses que vão ser vistos e revistos nas televisões de Montevidéu. A tradicional equipe uruguaia aparece de novo entre as oito melhores, e aliando raça, técnica e tradicão, quer ir mais longe.

Suárez foi o autor dos dois gols uruguaios

Na partida seguinte, os Estados Unidos que passaram de fase após um gol nos acréscimos de Landon Donovan contra a Argélia, enfrentaram Gana, a única seleção africana que ainda está na Copa. Logo no começo, Clark perdeu a bola no meio campo, e o ganês Prince Boateng disparou até chegar ao gol e abrir o placar. E lá estava a equipe norte-americana, outra vez em busca do empate, assim como nos confrontos com Inglaterra e Eslovênia. Jogando um segundo tempo excelente, misturando disciplina tática, organização e vontade, igualaram o marcador com Donovan batendo pênalti.

Apesar do domínio dos Estados Unidos no segundo tempo, o resultado permaneceu o mesmo levando a partida para a prorrogação. E de novo, uma falha no início custou caro. Gyan aproveitou lançamento que passou por toda a defesa e fez um belo gol dando a vantagem para Gana. Vantagem essa que durou o resto do tempo extra e garantiu que a África ainda tenha representantes no Mundial que sedia.

Gana venceu os Estados Unidos na prorrogação

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Dia 15 – Velhos conhecidos

Com os resultados desta sexta feira, ficaram definidos todos os confrontos das oitavas de final. Grandes duelos estão por vir entre as dezesseis equipes restantes, com aquela tensão que os jogos eliminatórios costumam trazer aos Mundiais. A disposição dos grupos agendou duelos como Alemanha x Inglaterra e Portugal x Espanha, e coube ao Brasil enfrentar um velho conhecido: o Chile.

Esse encontro sul-americano não é nenhuma novidade para os envolvidos. O histórico geral é de 65 embates, com retrospecto altamente favorável para o Brasil: 46 vitórias para os brasileiros, 7 vitórias para os chilenos e 12 empates. E em Copas do Mundo, apenas dois jogos e dois triunfos para os pentacampeões do mundo.

Na Copa de 1962, jogada lá mesmo no Chile, eles se enfrentaram na semifinal. 4 a 2, com dois gols de Garrincha e 2 gols de Vavá. A campanha de 62 terminaria com o bicampeonato mundial. Em 1998, mais coincidências, pois o jogo também foi nas oitavas de final, assim como em 2010. Jogando em Paris, o Brasil fez 4 a 1, com César Sampaio e Ronaldo marcando duas vezes, cada. O atacante Marcelo Salas diminuiu para o Chile.

É claro que o retrospecto serve como curiosidade, mas ele vale apenas até a bola rolar. A campanha do Brasil é razoável até aqui, com apenas uma boa atuação (contra a Costa do Marfim). Os chilenos perderam para a Espanha na última rodada, e também perderam a chance de ficar em primeiro de seu grupo. A observação válida é que a equipe não se intimidou com o favoritismo dos espanhóis e jogou com uma postura agressiva, como aliás é a característica do time comandado por Marcelo Bielsa.

O jogo será no dia 28/06 no estádio Ellis Park, em Johanesburgo. Freguês ou zebra?

Confira o vídeo abaixo, com momentos de Brasil x Chile, pela Copa de 1998.

Classificados

Grupo G – Brasil e Portugal
Grupo H – Espanha e Chile

Confrontos definidos – Oitavas de final

Brasil x Chile – 28/06
Espanha x Portugal – 29/06

Neste sábado, começam as oitavas de final com dois jogos: Uruguai x Coreia do Sul e Estados Unidos x Gana. Para o resumo dos jogos, além dos perfis de todas as seleções acesse o Blog É Pênalti.

Dia 14 – A casa con vergogna

A manchete estampada no site do conceituado jornal italiano Gazzetta Dello Sport nesta quinta, indica qual o sentimento dos torcedores para com a sua seleção: vergonha. Atual campeã do mundo, a Itália simplesmente foi eliminada na primeira fase da Copa, perdendo as vagas para Eslováquia e Paraguai. Como se não bastasse, ainda ficou atrás da Nova Zelândia, com um ponto a menos.

O pífio desempenho da Azzurra não é novidade, pois desde a Eurocopa 2008 o time não se acertou e chegou ao Mundial cercado de desconfiança. Os problemas são diversos. Entre eles, contestadíssima convocação do técnico Marcello Lippi que deixou de fora alguns jogadores pedidos pela torcida como Cassano e Totti, além da falta de brilho na nova geração que realmente não inspira quaisquer projeções.

Mesmo assim, a formação dos grupos não foi cruel para os italianos. Com todos os empecilhos, não era impossível sonhar com uma vaga para a segunda fase. Mas a campanha foi trágica: um razoável empate com os paraguaios e terríveis apresentações contra Nova Zelândia e Eslováquia, especialmente no setor defensivo.

A derrota dos tetracampeões mundiais serve para desmistificar a tese de que só o peso da camisa resolve. Desde o início da Copa, muitos dizem baseados em quase nenhuma estatística relevante que “a Itália sempre começa assim, mas chega”. Não sem bons jogadores. Evidente que a tradição é importante, mas sem talento não se chega a lugar algum.

A Itália se despediu da Copa do Mundo nesta quinta

Classificados

Grupo E – Holanda e Japão
Grupo F – Paraguai e Eslováquia

Confrontos definidos – Oitavas de final

Holanda x Eslováquia – 28/06
Paraguai x Japão – 29/06

Nesta sexta, mais quatros jogos. Brasil x Portugal(Grupo G); Coreia do Norte x Costa do Marfim(Grupo G); Espanha x Chile(Grupo H); Suíça x Honduras(Grupo H). Para o resumo dos jogos, além dos perfis de todas as seleções acesse o Blog É Pênalti.

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Dia 13 – Extratime

Eram 45 minutos do segundo tempo e os Estados Unidos ainda empatavam por 0 a 0 com a Argélia. Com a vitória da Inglaterra contra a Eslovênia no outro jogo do grupo, esse resultado eliminava os americanos da Copa do Mundo. Eis que já nos acréscimos, Dempsey chutou de dentro da área para defesa do goleiro argelino, e Landon Donovan, o craque do time,  aproveitou o rebote e jogou para o fundo das redes. Explosão de alegria da torcida no estádio e dos jogadores, que visivelmente emocionados e aliviados comemoraram o gol da classificação.

O sorteio do grupo indicava que Inglaterra e Estados Unidos de eram as equipes mais credenciadas a passar de fase. Entretanto, com o desenrolar dos jogos, a situação se complicou mais do que devia para os dois favoritos. Mesmo assim, o saldo final mostra que os americanos fizeram uma bela primeira fase. Estreiaram em busca de um empate no jogo com os ingleses e conseguiram; tiveram reação espetacular para cima da Eslovênia após um revés de 2 a 0 no placar. Nesse mesmo jogo, ainda tiveram um terceiro gol mal anulado pela arbitragem, que certamente teria deixado a situação da equipe menos dramática; e no último jogo, contornos de suspense até o gol nos acréscimos, ou como eles chamam, no extratime, deram a merecida passagem para as oitavas de final.

Além de tudo, terminaram na primeira posição da chave, escapando de um embate contra a Alemanha. Gana será o próximo adversário. E se não são absolutos favoritos para o duelo, a equipe comandada pelo técnico Bob Bradley tem tudo para encarar os africanos de igual para igual. De qualquer forma, o gol de Donovan que evitou a eliminação será lembrado por muito tempo pelos torcedores de lá. Eles merecem.

Americanos comemoram o gol de Donovan

Classificados

Grupo C – Estados Unidos e Inglaterra
Grupo D – Alemanha e Gana

Confrontos definidos – Oitavas de final

Estados Unidos x Gana – 26/06
Alemanha x Inglaterra – 27/06

Nesta quinta, mais quatros jogos. Holanda x Camarões(Grupo E); Japão x Dinamarca(Grupo E); Itália x Eslováquia(Grupo F); Paraguai x Nova Zelândia(Grupo F). Para o resumo dos jogos, além dos perfis de todas as seleções acesse o Blog É Pênalti.

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