Libertadores: muito além da catimba

A Copa Libertadores da América 2010 chega à sua reta final, restando apenas oito equipes brigando pelo título. Os brasileiros Cruzeiro, Flamengo, Internacional e São Paulo; a Universidad de Chile, o Libertad do Paraguai, o Chivas Guadalaraja do México e o Estudiantes da Argentina, atual detentor do título. Com 50% dos participantes que passaram pelas fases anteriores, é bem provável que um time brasileiro chegue a final. Mas esse mesmo exercício muitas vezes baseado no “achismo”, tem prejudicado os nossos clubes no torneio mais importante do continente.

Quando se fala sobre a Libertadores, associamos à competição um milhão de teses prontas carregadas de senso comum. Estádios acanhados, altitude, objetos atirados em campo. Tudo isso já foi muito pior, mas infelizmente ainda não deixa de ser verdade. Grande parte da responsabilidade é da Confederação Sul-Americana, a Conmebol, entidade com elevado grau de desorganização que muitas vezes parece achar as inúmeras falhas ao longo das décadas parte do charme da competição.

A lista de classificados para esta edição não contou com os tradicionais Boca Juniors e River Plate, além da recente força equatoriana, a LDU. Prato cheio para muitos dos especialistas cravarem mesmo antes da bola rolar que indubitavelmente o campeão será brasileiro. Palpite nem tão radical assim se considerarmos que os cinco participantes tem bons elencos. Mas essa mesma prepotência aliada a um certo desconhecimento de outras equipes causa algumas dificuldades na compreensão de eventuais derrotas e eliminações. Não raro, clubes de menor expressão dos mais variados países complicam os jogos contra gigantes do país penta-campeão. Ao invés de sempre resumir essas dificuldades com a velha expressão “Libertadores é Guerra”, não seria válida uma reflexão sobre quão grande realmente é a essa disparidade para os times de outros países? Talvez, os nossos nem sempre vão ser tão melhores que colombianos e bolivianos, por exemplo. Assimilar isso seria o ponto de partida para evitar surpresas.

A final de 2009 é um exemplo clássico: a vitória do Estudiantes sobre o ótimo time do Cruzeiro chocou os desavisados.  Fosse o Boca Juniors ou o Peñarol,  o oba-oba antes da final seria menor. O Estudiantes, que também é tradicionalíssimo na Libertadores (inclusive mais que a equipe de Belo Horizonte), e também era uma ótima equipe ano passado venceu a final com méritos, jogando um futebol técnico e consicente.

Os outros países do continente também jogam bola. Enfrentá-los vai muito além da preocupação com a tal “catimba”, que por sinal serve como rótulo nas derrotas. A humildade tão citada pelos jogadores e técnicos nos discursos deveria entrar com mais frequência em campo. Ajudaria muito.

O Estudiantes festejando o título em 2009

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About Junior Lourenço
25 anos, jornalista e publicitário. Editor do blog É Pênalti e do 30jardas – a comunidade do polo brasileiro (http://www.30jardas.com.br). Colunista de Marketing Esportivo do site Trivela.com- (http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/) Siga também no twitter – http://www.twitter.com/juniorlourenco

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