Clichês da Copa – Favoritismo Brasileiro

A Copa do Mundo vem aí. Com ela, uma cobertura massiva da imprensa brasileira. De repente, as notícias sobre a seleção nacional que já tem certa importância se multiplicam nos jornais, tevês, rádios e na boca do povo.  Pra quem gosta e vivencia o futebol esse período é muito aguardado e o hiato de quatro anos parece ser de um século. Quem não gosta acaba se contagiando, ou no mínimo sendo bombardeado com a infinidade de informações.

O grande problema é o resultado da equação quantidade versus qualidade. Muitas das matérias e opiniões relacionadas à Copa podem cair no senso comum, sem o devido cuidado. Junto com as curiosidades relacionadas ao maior evento futebolístico, chavões e clichês sobre os muitos temas que envolvem a competição pululam nos meios de comunicação. A ideia do blog É Pênalti nos próximos posts é trazer alguns exemplos disso, em uma mistura de análise com certa dose de humor.

Dito isso, nada melhor que começar com o Brasil. Sim, o Brasil-sil-sil, penta-campeão, único participante em todas as edições e sede do próximo mundial, em 2014. Inegável dizer que o Brasil sempre entra com o peso da camisa, e com favoritismo. Às vezes mais, às vezes menos. Mas omitir isso seria desconsiderar não só a tradição, mas também os resultados recentes em Copas.

O problema é quando esse favoritismo é tratado como uma junção de bairrismo e prepotência. Incomoda demais os admiradores do futebol mundial, quando insistem em dividir o torneio entre Brasil e o resto. Afinal, lembremos que estamos falando da Copa do Mundo e não do Brasil. A falta de informação de parte da imprensa sobre a bola que rola nos gramados estrangeiros fica explícita durante essas semanas, com o tratamento que é dado as outras nações participantes. Isso, acaba gerando teses cada vez mais preguiçosas e que acabam se difundindo entre a opinião pública. Alguns exemplos? “Sempre que chegamos favoritos perdemos. Quando vamos desacreditados, sagramo-nos campeões”. Tal afirmação (em alguns casos de maneira contundente) é carregada de estereótipos e petulância. É como pensar que o destino do troféu da FIFA dependa apenas do desempenho brasileiro. Que não importa o quanto possam as outras equipes se dedicarem ou se prepararem. Que ao encontrar um Brasil desacreditado, o melhor a se fazer é arrumar as malas e aguardar mais quatro anos.

Outro ótimo exemplo são as 1001 teses criadas para explicar a derrota para a França, na final em 1998. A falta de informação faz com que a assimilação da derrota seja lenta e dura. Muito dura. Não raro, ainda se ouve em conversas, sobre a possível venda do jogo para os franceses. O motivo ninguém sabe explicar bem qual foi, mas entre outros argumentos esdrúxulos está inclusive uma possível venda do jogo controlada pela Nike (o que perde o sentido quando lembramos que a patrocinadora dos franceses na época era a Adidas, sua maior concorrente de mercado).

É preciso muito cuidado para não confundir informação com emoção. O torcedor tem o total direito de se expressar como quiser e se deixar levar pela euforia (ou tristeza) que uma Copa do Mundo causa. O problema é quando a imprensa não faz esse discernimento. Aí a seleção canarinho quebra todos os limites. Inclusive o do bom jornalismo.

França campeã em 98: prato cheio para diversas teses

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About Junior Lourenço
25 anos, jornalista e publicitário. Editor do blog É Pênalti e do 30jardas – a comunidade do polo brasileiro (http://www.30jardas.com.br). Colunista de Marketing Esportivo do site Trivela.com- (http://trivela.uol.com.br/especial/marketing/) Siga também no twitter – http://www.twitter.com/juniorlourenco

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