Liga dos Campeões – Bávaros e Nerazzurri

Depois que times de toda a Europa passaram por três fases qualificatórias, a fase de grupos, oitavas, quartas e semi, sobraram apenas dois: Bayern de Munique, da Alemanha e Internazionale de Milão, da Itália. Eles se enfrentam na final da Liga dos Campeões da Europa que vai acontecer dia 22 de maio em Madri, Espanha.

Os Bávaros (apelido da equipe alemã) tentam o seu quinto título de campeão europeu. Venceram em 1974, 1975, 1976 – tricampeonato conquistado com jogadores de renome como Franz Beckenbauer, Sepp Maier e Gerd Muller – e 2001. Os Nerazzurri (como a Inter é conhecida) busca o tricampeonato, pois venceu em 1964 e 1965 com o histórico treinador Helenio Herrera, a quem o atual técnico José Mourinho está sendo comparado.

Campanhas

A campanha dos alemães na primeira fase foi bem irregular, assim como foi todo o começo da temporada. Garantiu a vaga apenas na última rodada, se classificando em segundo lugar com uma vitória na Itália contra a Juventus. Ainda enfrentaram o Bordeaux, da França e o Maccabi Haifa, de Israel em seu grupo A. Na fase eliminatória passou por um duro confronto contra a Fiorentina e depois superou a prova de fogo: eliminaram os atuais vice-campeões Manchester United. O curioso é que os dois gols que decidiram as vagas foram de Arjen Robben. O holandês tem sido decisivo.

A Internazionale caiu no complicado grupo F onde enfrentou o badalado Barcelona, além de times perigosos do leste europeu: Rubin Kazan e Dínamo Kiev. Também se classificou em segundo lugar com apenas duas vitórias. Na fase seguinte derrotou duas vezes o fortíssimo Chelsea, mostrando que mereciam ser vistos com outros olhos. Depois, mais duas vitórias contra o CSKA Moscou deixaram os italianos entre os quatro melhores.

Semi-finais

O adversário do Bayern foi o Lyon, que chegou credenciado por eliminar os galáticos do Real Madrid, e o Bordeaux, time de melhor campanha na fase inicial. A vitória por apenas 1 a 0 na Alemanha deixou a decisão para o Stade Gerland, em Lyon. Mas o croata Ivica Olic estava inspiradíssimo. Fez três gols e confirmou a classificação, deixando a impressão que era o Bayern quem jogava em casa.

Depois de vencer o Arsenal com 4 gols de Messi, e o Real Madrid no super clássico do campeonato espanhol, o Barcelona ganhou status de amplo favorito contra qualquer time que enfrentasse. E com a Internazionale não foi diferente. Mas no banco, os italianos tem o experiente treinador José Mourinho. A vitória por 3 a 1 da Inter no jogo de ida surpreendeu os desavisados, além de gerar uma baita expectativa pro jogo da volta. Mesmo com um esquema defensivo muito bem montado pelo português e atuação solidária dos jogadores (até os atacantes marcaram), a derrota veio. Mas apenas por 1  a 0, resultado que carimbou o passaporte dos nerazzurri para a final.

Até lá…

Antes dos jogos, alguns consideravam Inter x Barça uma final antecipada. Pensamento enganoso. O titubeante Bayern de Munique demorou, mas engrenou. Até o dia 22 de maio a equipe ainda briga pelo título do campeonato alemão, onde lidera a duas rodadas do fim. A Inter de Milão também está em primeiro lugar no campeonato italiano, com três jogos para fazer.

Ainda há muito o que se comentar, discutir e analisar sobre a finalíssima. Mas mesmo faltando quase um mês para a grande decisão, essas duas tradicionais torcidas já devem estar muito ansiosas.

A final da Liga dos Campeões será no dia 22 de maio.

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Clichês da Copa – Seleções africanas

Os jogadores do continente africano há algum tempo fazem sucesso nos clubes da Europa. Ainda que a maior concentração de atletas está na liga francesa, muitos craques estão espalhados por equipes de outros países. Apesar disso, as seleções só tem a devida atenção quando estamos em Copa do Mundo, mesmo que a Copa Africana de Nações seja cada vez mais popular entre os fãs de futebol. Aliás, atenção é o que não falta. Por uma série de motivos, a torcida brasileira se identifica e invariavelmente se vê torcendo para algum dos países, com certa admiração.

Porém, ao analisar as equipes africanas é preciso algum cuidado. O primeiro é justamente não generalizar. Não é por pertencer ao mesmo continente que todas as seleções são iguais, que jogam da mesma forma e tem as mesmas características. Já pensou colocar o futebol sul-americano na mesma sacola e não diferenciar as tradições de brasileiros e bolivianos?

Outro fator sempre comentado é o suposto “futebol irresponsável”. Quem cunhou esse termo, provavelmente baseado na vocação ofensiva e nada defensiva de algumas seleções do passado, não imaginou que ele pudesse durar tanto tempo. Basta alguma equipe ter três atacantes, ou tomar gols de contra-ataque que a sentença está pronta: eles só pensam em atacar. Pra não viajar muito no tempo, na Copa de 2006, Gana tinha um esquema que priorizava a marcação. Tinha bom toque de bola, jogadores com técnica, é verdade. Mas Essien e Appiah eram uma excelente dupla de meias que sabiam (Essien ainda faz isso muito bem) dar combate.

Em mais exemplos recentes podemos recordar que a Nigéria foi líder de seu grupo na Copa-98, ou que Senegal além de derrotar a França chegou as quartas de final em 2002. Demonstrações de que não são ingênuos como alguns ainda insistem em pensar. A irreverência dificilmente deixará de fazer parte da cultura e consequentemente do futebol dessas nações. Mas é preciso entender que a experiência dos jogadores trouxe novos recursos e variações para os africanos. E ai de quem ainda achar que eles continuam jogando do mesmo jeito…

A Costa do Marfim, de Drogba, enfrentará o Brasil na Copa 2010

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Clichês da Copa – Favoritismo Brasileiro

A Copa do Mundo vem aí. Com ela, uma cobertura massiva da imprensa brasileira. De repente, as notícias sobre a seleção nacional que já tem certa importância se multiplicam nos jornais, tevês, rádios e na boca do povo.  Pra quem gosta e vivencia o futebol esse período é muito aguardado e o hiato de quatro anos parece ser de um século. Quem não gosta acaba se contagiando, ou no mínimo sendo bombardeado com a infinidade de informações.

O grande problema é o resultado da equação quantidade versus qualidade. Muitas das matérias e opiniões relacionadas à Copa podem cair no senso comum, sem o devido cuidado. Junto com as curiosidades relacionadas ao maior evento futebolístico, chavões e clichês sobre os muitos temas que envolvem a competição pululam nos meios de comunicação. A ideia do blog É Pênalti nos próximos posts é trazer alguns exemplos disso, em uma mistura de análise com certa dose de humor.

Dito isso, nada melhor que começar com o Brasil. Sim, o Brasil-sil-sil, penta-campeão, único participante em todas as edições e sede do próximo mundial, em 2014. Inegável dizer que o Brasil sempre entra com o peso da camisa, e com favoritismo. Às vezes mais, às vezes menos. Mas omitir isso seria desconsiderar não só a tradição, mas também os resultados recentes em Copas.

O problema é quando esse favoritismo é tratado como uma junção de bairrismo e prepotência. Incomoda demais os admiradores do futebol mundial, quando insistem em dividir o torneio entre Brasil e o resto. Afinal, lembremos que estamos falando da Copa do Mundo e não do Brasil. A falta de informação de parte da imprensa sobre a bola que rola nos gramados estrangeiros fica explícita durante essas semanas, com o tratamento que é dado as outras nações participantes. Isso, acaba gerando teses cada vez mais preguiçosas e que acabam se difundindo entre a opinião pública. Alguns exemplos? “Sempre que chegamos favoritos perdemos. Quando vamos desacreditados, sagramo-nos campeões”. Tal afirmação (em alguns casos de maneira contundente) é carregada de estereótipos e petulância. É como pensar que o destino do troféu da FIFA dependa apenas do desempenho brasileiro. Que não importa o quanto possam as outras equipes se dedicarem ou se prepararem. Que ao encontrar um Brasil desacreditado, o melhor a se fazer é arrumar as malas e aguardar mais quatro anos.

Outro ótimo exemplo são as 1001 teses criadas para explicar a derrota para a França, na final em 1998. A falta de informação faz com que a assimilação da derrota seja lenta e dura. Muito dura. Não raro, ainda se ouve em conversas, sobre a possível venda do jogo para os franceses. O motivo ninguém sabe explicar bem qual foi, mas entre outros argumentos esdrúxulos está inclusive uma possível venda do jogo controlada pela Nike (o que perde o sentido quando lembramos que a patrocinadora dos franceses na época era a Adidas, sua maior concorrente de mercado).

É preciso muito cuidado para não confundir informação com emoção. O torcedor tem o total direito de se expressar como quiser e se deixar levar pela euforia (ou tristeza) que uma Copa do Mundo causa. O problema é quando a imprensa não faz esse discernimento. Aí a seleção canarinho quebra todos os limites. Inclusive o do bom jornalismo.

França campeã em 98: prato cheio para diversas teses

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Troféu passagem

Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que a Copa do Brasil é o caminho mais curto para a Libertadores da América? Essa frase feita já caiu no discurso de jogadores, treinadores, torcedores, jornalistas e até dirigentes. O que deveria ser considerado o segundo maior campeonato do país é muitas vezes tratado como um simples atalho para a competição continental. E o troféu logo deixa de ser assunto, repassando os holofotes à preparação do ano seguinte.

Existem alguns fatores que desvalorizam o torneio. Alguns poderiam ser facilmente repensados, trazendo à Copa o status que ela merece: de um título nacional. O primeiro e talvez o mais absurdo é o campeão não poder defender o título no ano seguinte. Simplesmente inibe os bicampeões, tricampeões ou qualquer outra hegemonia que algum time almeja. O mesmo vale para os classificados à Libertadores através do Campeonato Brasileiro. As melhores campanhas no ano são premiadas com o torneio das Américas, enquanto a Copa do Brasil fica com um sabor de “fim de feira” ou prêmio de consolação.

Outra medida que poderia ser adotada é a extensão do campeonato para o ano todo. Não há um motivo indiscutível para que as fases finais ocorram no meio do ano. As datas do segundo semestre podem ser conciliadas (vide os times que ficam sem atuar devido à Copa Sul-Americana). Se o problema for a janela de transferências que resulta no êxodo de muitos jogadores para a Europa, que levem vantagem os times que conseguirem manter seus reforços até dezembro. Além disso, evitaria o freqüente desinteresse do campeão pela continuação do Brasileirão.

Pouco se fala da galeria de campeões que a Copa tem desde sua primeira edição em 1989. Os maiores campeões são Grêmio e Cruzeiro (4 vezes) e os estados que mais vezes triunfaram foram Rio Grande do Sul e São Paulo (6 vezes). É importante notar que times importantes como Atlético Mineiro, Botafogo, Santos, São Paulo e Vasco não têm essa taça. E como curiosidade, apenas três vencedores da Copa do Brasil conquistaram o continente no ano seguinte: Grêmio(1995), Cruzeiro(1997) e Palmeiras(1999). Isso serve como um alerta de que o caminho não é tão curto assim…

Messi e a Copa

É consenso entre os admiradores do futebol europeu que Lionel Messi tem jogado muito, muito bem. Talvez Wayne Rooney seja o único jogador que ainda cause dúvidas sobre um eventual título de melhor da temporada para o argentino. Mas curiosamente, não é feito sobre o inglês o questionamento que ouvimos com tanta frequência quando se fala de Messi: “e na seleção?”

Grande jogador é um pequeno elogio para o baixinho Lionel. Dribles fantásticos, bola que gruda no pé, gols em demasia. Tudo isso está no repertório. Além é claro, de ser protagonista de um dos maiores (seria o maior?) time da década, o atual Barcelona. Messi é incrível e na atual temporada parece ainda mais. Porém, alguns torcem o nariz para suas recentes façanhas, ora com argumentos curiosos e discutíveis, ora apenas por implicância. Ora, bolas. Talvez por ser argentino? Prefiro pensar que não.

Os que ainda não se encantaram com o futebol de Leo tem as críticas na ponta da língua: “tem que provar na seleção”, “nunca fez nada pela Argentina” ou “quero ver na Copa” estão entre as mais comuns. E imagino eu, que alguns desses comentários possam vir até mesmo dos hermanos, em algo similar ao que acontece com Ronaldinho Gaúcho aqui no Brasil.

De fato, o histórico de Messi com sua seleção não empolga, mas não chega a ser uma decepção. Tem 33 jogos oficiais, 13 gols (seleção principal), participou da Copa de 2006 (inclusive fazendo gol) vice-campeão da Copa América-07 (vencida pelo Brasil) e medalhista de ouro nas Olimpíadas de Pequim-08 (torneio ainda não vencido pelo Brasil). De quebra, ainda foi campeão do mundial sub-20 em 2005 (eliminando pelo caminho, adivinhe…).

É crueldade não só com o argentino, mas com qualquer outro jogador exigir que ganhe uma Copa do Mundo sozinho. A Argentina não joga toda a semana como o Barcelona. Logo, não tem o mesmo entrosamento que tanto empolga nos gramados da Europa. E esse é um fato que sempre vem à tona quando se discute os Mundiais. As datas limitadíssimas que sobram para as seleções treinarem; a exaustão em que chegam os jogadores após a maratona de jogos (especialmente os de grandes clubes) e muitos eteceteras. Some isso aos discutíveis defensores argentinos e a presença de um técnico que ainda não provou qualidade que o justifique no cargo.

Sabe-se lá se Messi vai arrebentar na Copa, ser vice-campeão, se machucar ou até ser eliminado na primeira fase. Ele já é espetacular. A qualidade de seu futebol não pode ser condicionada ao seu desempenho na África do Sul. Messi é craque hoje, agora. Aproveitem!