Flashback, pero no mucho

Ok, o assunto já está batido. Mas esperei que todos comentassem das mais variadas maneiras para enfim, poder pitacar à vontade sobre Santos 0 x 4 Barcelona, a final do mais recente Mundial de Clubes.

Sendo assim, faço aqui um dos meus exercícios favoritos: comentar o que foi comentado.

1 – “A vitória do Barcelona escancarou o abismo entre futebol europeu e brasileiro”.

Sim e não. Na verdade existe um princípio de abismo entre Barcelona e outros clubes europeus. Isso não significa que o Barça será campeão de tudo, mas que o nível do futebol praticado e a consistência adquirida por eles estão acima da média. O futebol brasileiro está sim alguns degraus abaixo do que de melhor se pratica no velho continente, mas não foi a vitória do Barcelona responsável pelo diagnóstico. Afinal, uma semana antes, os blaugrana venceram seu rival Real Madrid fora de casa por 3 a 1.

2 – “O Barcelona se inspira no antigo futebol brasileiro”.

É, foi o que o Guardiola disse. Mas ainda acho que isso, quando dito por nós, soa uma frase pretensiosa e com ar de “mau perdedor”. E se for pra comparar o que fizeram até aqui, o Barcelona de Guardiola já fez muito mais do que o Brasil de 82, por exemplo.

3 – “Neymar é só firula”.

Não é. É excelente jogador e tem grandes chances de construir uma carreira brilhante. Pra sua idade, já fez muita coisa. Não pode ser comparado com Messi, mas não custa lembrar que não foi ele a passar dias antes da final comparando-se com o argentino. Muitos que levantaram essa inútil questão, aproveitam agora para minimizar os feitos de Neymar.

Opiniões avulsas

O atual Barcelona é fora de série, e quaisquer comparações com clubes sul-americanos são crueis. O mesmo Barcelona não é parâmetro do futebol europeu, muito menos do espanhol.

Sim, o Santos poderia tentar ser mais agressivo e não dá pra ficar “orgulhoso” com uma derrota de 4 a 0.

E você, o que teria feito no lugar de Muricy?

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Equilibrado campeão

Quando o Corinthians perdeu para o Tolima, eram poucos os que não citavam a saída de Tite como solução imediata.

O mesmo já foi escolhido um dos principais culpados pelo título que escapou em 2010.

Agora, o reconhecimento é proporcional? Seria Tite eleito o responsável pelo Brasileirão?

Não, claro que não.

Mas verdade seja dita, poucas vezes um campeão brasileiro foi tão homogêneo. Lembraremos do Cruzeiro de Alex, do Santos de Robinho ou do Flamengo de Petkovic. Qual foi o principal nome entre os corinthianos?

Se não foi brilhante, o Corinthians foi competente. Conseguiu os pontos que precisava nos duríssimos jogos finais.

E assim venceram um dos campeonatos mais equilibrados dos últimos dez anos.

Outros pitacos

- o Cruzeiro terminou goleando o Atlético-MG e a impressão é que foi o Galo o time a passar a reta final do campeonato ameaçado pelo rebaixamento.

- América-MG, Avaí, Atlético-PR e Ceará dão lugar à Portuguesa, Ponte Preta, Náutico e Sport em 2012. Melhor que os times empresariais.

- Palmeiras e Grêmio foram coadjuvantes ao longo do torneio todo. Algo muda no ano que vem?

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Brasileirão 2011 – que pena

Que pena. Vai acabar o Brasileirão 2011. O campeonato de classificação equilibrada e de muitas finais ao longo das rodadas, para defensor de mata-mata nenhum botar defeito(ok, ainda há quem prefira).

A última rodada deixará torcidas de cabelos em pé. Clássicos por todo o país excluem a famigerada polêmica do “entrega ou não?”, e ainda por cima deixarão as torcidas com o olho na TV – ou o rádio no ouvido – para acompanhar mais de uma partida.

Por exemplo: corinthianos e flamenguistas esperam o insucesso do Vasco. Palmeirenses e vascaínos lutam para evitar o título do Corinthians.

Internacional, Coritiba e Figueirense brigam pela vaga na Libertadores contra seus respectivos rivais Grêmio, Atlético-PR e Avaí.

No clássico mineiro, o Atlético sonha em rebaixar o Cruzeiro, ainda que isso dependa do resultado do duelo nordestino, Bahia e Ceará.

Domingo daqueles.

Pena que está acabando.

E pensar que ano que vem ainda terá Sport x Náutico…

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Duas rodadas

Duas rodadas e só. Está terminando o campeonato brasileiro mais maluco da era dos pontos corridos.

À essa altura, o título do Corinthians parece óbvio, mas como obviedade não combina com maluquice, o melhor é aguardar.

Além do título, duas vagas da Libertadores estão em aberto (considerando que o embalado Fluminense não deixará escapar a sua), assim como dois rebaixamentos.

Quer melhorar? vários clássicos estão agendados para as últimas rodadas. Poderemos ver: Palmeiras tirando a taça do Corinthians, Botafogo estragando a festa vascaína, Grêmio impedindo a classificação do Internacional na Libertadores ou Atlético rebaixando o Cruzeiro.

Aguardemos, aguardemos.

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Técnicos

Tite está na liderança e é alvo de críticas a cada empate.

No rival, Felipão dirige o time na décima terceira posição e às vezes parece o único com

crédito pelos lados alviverdes.

Cuca, tantas vezes estampado como ‘quase-vitorioso’, tirou o Atlético-MG da zona de

rebaixamento. Lá está o rival do Galo, o Cruzeiro, que outrora demitiu o mesmo Cuca.

Luxemburgo e o inconstante Flamengo dão sinais de que a Libertadores já é o bastante. Teria

o professor vencedor se convencido de ambições mais modestas?

E no Sul, Celso Roth, campeão da Libertadores em 2010 com o Internacional, comanda o Grêmio enquanto décimo primeiro da lista.

Ninguém fala do Figueirense? Sexto colocado. Sabe quem é o técnico? Jorginho, o auxiliar de Dunga.

E Antônio Lopes (esse memsmo) passou por dois clubes nesse Brasileirão. Treinou o América-MG e agora está no Atlético-PR. Ambos na zona de rebaixamento. Coincidência?

Nota do Blog: sim, o Blog sabe que os técnicos não estão no topo ou na rabeira sozinhos, e

que todos eles dependem de um grupo de jogadores. Chamemos isso de licença poética.

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Mistério carioca

Os primeiros anos de pontos corridos no Brasileirão foram tomados por uma enxurrada de comentários sobre estrutura, (des)organização e planejamento. Ao invés de discutir sobre o melhor time, o assunto eram os melhores elencos, diretores e até centros de treinamento.

E era aí que os clubes cariocas entravam em cena, pela porta dos fundos. Nos seis primeiros campeonatos com este formato, a taça foi para Minas Gerais uma vez e cinco seguidas para São Paulo. Nesse período, poucas vezes equipes do Rio sonharam com a taça.

Os motivos nem eram tão óbvios assim. Afinal, problemas internos e falta de estrutura são rotineiros para quase todos os clubes (e não me arrisco a dizer quais são exceção). Talvez o natural sentimento de grandeza tenha atrapalhado. Era complicado para torcedores e diretorias enxergar a então nova realidade. O título ficara mais difícil, e a vaga na Libertadores era o bastante.

Era o Vasco de Eurico, o Flamengo das crises, o Fluminense de Horcades e o Botafogo da série B em 2003.

Eis que o cenário mudou. O Flamengo foi campeão em 2009, o Fluminense em 2010 e o Vasco levou a Copa do Brasil em 2011. E no atual Brasileirão, ainda em pontos corridos, os cariocas aparecem entre os cinco melhores.

O que aconteceu? Não dá pra botar na conta da organização. O cotidiano apararenta ser (pouco) mais transparente com os presidentes Dinamite, Patrícia, Siemsen e Assumpção. Mas se lembrarmos que PC Gusmão era o técnico do início fraco dos vascaínos em 2011, veremos que o planejamento não é lá aquele primor.

Em análise fria, os problemas desses quatro são os mesmos que de todos os outros. Fica então o mistério: por que os cariocas demoraram tanto pra acordar?

Washington, Fred, Emerson e Conca. Fluminense campeão em 2010.

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Brasileirão, o demolidor de palpites

Sete pontos separam os cinco primeiros. Esse é o Brasileirão.

Equilíbrio é pouco para o campeonato mais divertido das últimas temporadas. O mais legal é que essa homogeneidade dos times dificulta quaisquer prognósticos para as próximas rodadas. É só analisar a última.

Nela, o Fluminense, brigando para uma vaga na Libertadores, enfrentou o Atlético Mineiro, na luta contra o rebaixamento. Onde? No Rio. Resultado? 2 a 0 pro Galo.

Botafogo, candidato ao título, contra o Avaí, candidato à Série B. Vitória do time catarinense, 3 a 2.

Agora você arriscaria dizer que Ceará (décimo sétimo) e Cruzeiro (décimo quinto) serão presas fáceis para os mesmos Fluminense e Botafogo?

No campeonato maluco, as únicas certezas são a de que o América Mineiro caiu e o Santos está satisfeito com o meio da tabela.

Até lá, mais sete rodadas. E sete chances para errar muitos palpites.

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O confuso Palmeiras

Não é novidade o que escrevo aqui: politicamente, o Palmeiras se tornou uma bagunça.

E olha que para ser chamado de bagunça no cenário desorganizado do nosso futebol, é necessário algum esforço.

Recapitulemos. Fim da fase Parmalat, Mustafá Contursi, rebaixamento. Depois, vieram os novos presidentes Della Monica e (o conceituado) Luiz Gonzaga Belluzzo, e com eles, ares de mudança.

Os ares rapidamente se foram.

Mesmo com bons times, o (péssimo) ambiente interno interfere na rotina do clube. Diretores vaidosos cujos interesses não parecem ser exatamente o bom desempenho do Palmeiras.

Polêmica de cá, polêmica de lá, chegou Felipão. “Agora vai”, pensaram alguns palmeirenses.

Não foi.

Nem vamos aqui discutir aspectos ‘dentro de campo’. Mas sem respaldo da direção não há técnico que faça bom trabalho. Com a diretoria omissa, Felipão virou uma espécie de faz-tudo da equipe.

E assim segue o Palmeiras. Sem um ambiente sequer razoável para impedir que qualquer problema vire crise emergencial.

O caso Kléber não será o último.

Com a diretoria omissa, Felipão segue respondendo por crises no elenco

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Presente

Presente

Aniversário de jogador é uma das pautas mais manjadas do jornalismo esportivo. E ainda usam. E como usam.

O gancho está ali, dando sopa. Um jogador completará anos no dia da rodada. E vem a pergunta:

- “E aí, espera uma ganhar uma vitória de presente?”

Esse tipo de observação deve ter sido legal da primeira vez. Talvez na segunda, no máximo na terceira. Hoje, é só falta de criatividade.

Além de tudo, existem as variações. A pergunta às vezes é usada na semana(!) do aniversário, ou quando algum outro companheiro fica mais velho.

- “Vão tentar esta vitória para presentear o amigo?”

Fique atento. Muito em breve, algum jogador fará aniversário. E alguém fará essa pergunta.

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Imprevisível

Há alguns dias atrás o Blog É Pênalti perguntou quem queria ser campeão brasileiro. A dúvida continua. Com vinte rodadas de campeonato, cinco times dividem-se na ponta mas nenhum deles convence.

Não é um comentário ranzinza. O Brasileirão melhorou de uns anos pra cá, e esse equilíbrio todo – único no mundo – deveria ser visto como um trunfo do torneio. Acontece que, nesse ano em particular, observamos o tal ‘nivelamento por baixo’.

Uma pena. O equilíbrio assemelha-se mais à uma falta de competência generalizada do que à um excesso de qualidade.

Enquanto isso, aguardemos e aproveitemos a imprevisibilidade.

Quem ainda quer ser campeão?

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